Mercado acionário
Do petróleo ao varejo, balanços do 2º trimestre expõem contrastes na Bolsa
Por Redação - Em 19/08/2026 às 2:30 PM

Apenas 41% das empresas superaram as projeções para o lucro líquido, abaixo dos 45% registrados no trimestre anterior e no menor nível da série histórica da XP desde o primeiro trimestre de 2023 FOTO: Agência Brasil
A temporada de balanços do segundo trimestre de 2026 terminou com uma Bolsa dividida entre empresas beneficiadas pelo cenário externo e negócios que ainda sentem os efeitos dos juros elevados e do consumo mais fraco. Na avaliação da XP Investimentos, óleo, gás e petroquímicos formaram o principal destaque positivo, enquanto varejo e telecomunicações ficaram entre os segmentos de desempenho mais pressionado.
O contraste aparece nos números. O Ebitda das companhias de óleo, gás e petroquímicos acompanhadas pela XP avançou 79,7% na comparação anual, a maior expansão entre os setores analisados. O movimento ocorreu em meio à valorização do petróleo provocada pelo aumento das tensões no Oriente Médio.
Apesar de alguns resultados expressivos, a leitura geral da casa para a temporada foi de desempenho fraco. Apenas 41% das empresas superaram as projeções para o lucro líquido, abaixo dos 45% registrados no trimestre anterior e no menor nível da série histórica da XP desde o primeiro trimestre de 2023.
Entre as petroleiras, Petrobras e PRIO apareceram entre os destaques. A estatal foi favorecida pela alta do petróleo e por spreads de refino mais elevados, enquanto a PRIO avançou com maiores volumes de produção e vendas.
Na distribuição de combustíveis, Vibra e Ultrapar tiveram desempenho apoiado por margens maiores e geração de caixa. A Braskem, por sua vez, encontrou um ambiente mais favorável com a recuperação dos spreads petroquímicos.
Fora das commodities, a indústria também produziu alguns dos melhores balanços da temporada. A Embraer combinou expansão de receita e margens com geração de caixa e melhora das perspectivas de rentabilidade. A WEG superou expectativas, sustentada principalmente pelas operações internacionais e por ganhos de produtividade.
Itaú e Nubank
No setor financeiro, o desempenho foi menos uniforme. Itaú Unibanco voltou a figurar entre os resultados considerados mais consistentes pela XP, enquanto o Nubank se beneficiou da redução do custo de crédito.
O Bradesco apresentou sinais de melhora operacional, mas Santander Brasil e Banco do Brasil mostraram maior pressão na carteira de crédito. Já BTG Pactual e B3 continuaram encontrando suporte na diversificação de suas fontes de receita.
Construção
Um dos contrapontos ao ambiente de juros elevados veio da construção residencial. As incorporadoras voltadas à baixa renda ficaram entre os grupos mais consistentes do trimestre.
A Tenda foi apontada como principal surpresa positiva, com crescimento de receita acompanhado por expansão das margens. Cury e Direcional também apresentaram desempenho operacional forte. Na média e alta renda, a Cyrela teve resultados equilibrados, enquanto a Moura Dubeux registrou lucro recorde.
Shoppings também mantiveram indicadores operacionais favoráveis. Multiplan, Allos e Iguatemi foram sustentadas pelo desempenho das vendas dos lojistas, ocupação elevada e inadimplência reduzida. A JHSF chamou atenção pelo crescimento da receita.
Telecom
Na outra ponta da temporada, as telecomunicações estiveram entre as principais decepções. TIM e Vivo apresentaram lucros abaixo das expectativas, provocando uma piora na percepção dos investidores. Concorrência mais intensa e desaceleração do crescimento entraram no radar do mercado.
No varejo, a combinação entre demanda enfraquecida, competição e menor poder de compra continuou limitando os resultados. Lojas Renner ficou entre as decepções depois de reduzir suas projeções de receita para 2026, enquanto a Azzas 2154 permaneceu pressionada por vendas mais fracas e estoques elevados. O Grupo Mateus também enfrentou um trimestre mais difícil.
Nem todo o varejo, porém, seguiu a mesma direção. Alpargatas, Riachuelo, Grupo SBF, Track & Field e C&A foram citadas pela XP entre as empresas que apresentaram execução mais consistente no período.
Balanços
Os números do segundo trimestre deixam uma fotografia mais ampla do mercado brasileiro. Empresas expostas ao petróleo, exportações ou com capacidade de crescer mesmo em um ambiente doméstico restritivo conseguiram entregar resultados mais robustos. Negócios diretamente dependentes do consumo e das condições de crédito tiveram menos espaço para avançar.
A temporada, portanto, reforça uma seleção cada vez mais baseada na capacidade individual das companhias de proteger margens, gerar caixa e atravessar um ciclo de juros ainda elevados. Mais do que uma recuperação generalizada dos lucros, o segundo trimestre mostrou uma Bolsa operando em velocidades diferentes.
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