Indústria Aeronáutica
Embraer ganha força no mercado global e pode desafiar domínio de Airbus e Boeing, avalia The Economist
Por Redação - Em 04/08/2026 às 2:30 PM

Em 2021, a Embraer entregou 141 aeronaves. Neste ano, a expectativa é alcançar 255 unidades, enquanto a carteira de pedidos atingiu um recorde de US$ 34,5 bilhões
A brasileira Embraer atravessa um dos momentos mais favoráveis de sua história e pode estar diante da melhor oportunidade em décadas para ampliar sua presença no mercado global de aviação comercial. A avaliação é da revista britânica The Economist, que destaca o crescimento da fabricante em um cenário marcado por atrasos nas entregas de Airbus e Boeing e pela expansão da demanda por aeronaves de menor porte.
Segundo a publicação, a empresa vive um ciclo de forte expansão. Em 2021, a Embraer entregou 141 aeronaves. Neste ano, a expectativa é alcançar 255 unidades, enquanto a carteira de pedidos atingiu um recorde de US$ 34,5 bilhões, reforçando a confiança do mercado no ritmo de crescimento da fabricante.
Outro indicador citado é o desempenho das ações da companhia. Desde o início de 2021, os papéis da Embraer acumularam valorização próxima de dez vezes, superando o desempenho das ações de Airbus e Boeing no mesmo período.
Cenário abre espaço para expansão
A análise da The Economist aponta que a fabricante brasileira tem sido beneficiada por uma combinação de fatores favoráveis. Entre eles estão os gargalos de produção enfrentados por Airbus e Boeing, que somam aproximadamente 16 mil aeronaves encomendadas e registram filas de espera que, em alguns modelos, podem chegar a uma década.
Ao mesmo tempo, cresce a demanda mundial por voos diretos entre cidades médias e aeroportos regionais, segmento em que a Embraer já ocupa posição de liderança com aeronaves de até 150 assentos. A empresa também amplia sua presença nos mercados de jatos executivos e de defesa, diversificando suas fontes de receita.
O desafio de competir com as gigantes
Para a revista britânica, esse contexto poderia abrir espaço para um movimento mais ambicioso: o desenvolvimento de uma aeronave de corredor único para disputar diretamente o mercado hoje dominado por Airbus e Boeing.
A oportunidade estaria ligada ao fato de que as duas fabricantes ainda não demonstram pressa para substituir seus principais modelos, cuja renovação deve ocorrer apenas no fim da década de 2030. Esse intervalo poderia permitir a entrada de um novo competidor.
Apesar disso, a publicação ressalta que romper um duopólio consolidado há décadas exigiria investimentos elevados e envolveria riscos significativos. Um novo programa de aeronave comercial é estimado em cerca de US$ 10 bilhões, valor que demandaria parceiros financeiros e industriais.
Estratégia ainda é conservadora
Embora analistas enxerguem potencial para um salto estratégico, a própria Embraer mantém uma postura cautelosa. O presidente da companhia, Francisco Gomes Neto, afirmou recentemente que a empresa está confortável com sua posição atual e vê espaço para crescer de forma consistente nos segmentos em que já atua.
Hoje, a Embraer é a terceira maior fabricante de jatos comerciais do mundo, atrás apenas de Airbus e Boeing, além de liderar o mercado global de aeronaves com capacidade para até 150 passageiros.
Uma trajetória de reinvenção
Fundada em 1969, em São José dos Campos (SP), com apoio do governo brasileiro, a Embraer nasceu para produzir em escala o turboélice Bandeirante, desenvolvido pelo então Centro Técnico Aeroespacial (CTA). Ao longo de mais de cinco décadas, a empresa ampliou sua atuação para os mercados comercial, executivo, militar e agrícola.
A fabricante enfrentou uma grave crise financeira no início dos anos 1990, que culminou em sua privatização, em 1994. A partir daí, lançou programas considerados decisivos para sua recuperação, como a família ERJ, os E-Jets, os jatos executivos Phenom, Legacy e Praetor, além do cargueiro militar C-390 Millennium.
Outro marco recente foi o fracasso da parceria com a Boeing, anunciada em 2018 e cancelada pela empresa americana em 2020. Após disputa arbitral, as companhias chegaram a um acordo em 2024, encerrando o litígio.
Com mais de 9 mil aeronaves entregues para operadores em mais de 100 países, a Embraer consolida sua posição como uma das principais empresas brasileiras de alta tecnologia e busca aproveitar um momento considerado único pela The Economist para ampliar seu protagonismo na indústria aeronáutica global.
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