MOMENTO DECISIVO

Eólica offshore deve atrair R$ 900 bi e transformar matriz energética brasileira

Por Marcelo Cabral - Em 06/04/2026 às 5:12 PM

O Brasil se prepara para um novo ciclo de investimentos em energia limpa, com potencial de movimentar cerca de R$ 900 bilhões até 2050 por meio da expansão da energia eólica offshore. A projeção, baseada em levantamento do Banco Mundial, ganha força com o lançamento da Coalizão Eólica Marinha (CEM), iniciativa que reúne grandes players globais interessados no desenvolvimento da geração de energia dentro do mar.

Turbinas eólicas offshore são muito usadas em países da Europa              Foto: LinkedIn/Principal Power

O lançamento da CEM será realizado nesta terça-feira (7), em Brasília, em um momento decisivo para o setor, logo após o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovar a resolução estabelecendo o marco legal das eólicas offshore. Dessa forma, abrindo caminho para regulamentação e concessão de áreas de exploração no litoral brasileiro. A expectativa é que o decreto com as diretrizes para cessão de áreas seja publicado no próximo mês de maio, acelerando a estruturação do mercado.

Cadeia produtiva e empregos

A nova indústria tem potencial significativo de geração de empregos e desenvolvimento industrial. Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), o setor pode criar cerca de 500 mil postos de trabalho até 2050. A previsão inclui também a capacidade de geração de até 1.200 gigawatts (GW), distribuídos ao longo das regiões litorâneas do Nordeste, Sudeste e Sul – que possuem ampla vocação para a produção de energia eólica no mar.

Vale lembrar que o Ceará está inserido neste momento, pois além de um extenso litoral com mais de 500 quilômetros de extensão, possui constância e qualidade de ventos, tanto que a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), já possui um atlas revelando o potencial de geração. De acordo com a presidente da CEM, Roberta Cox, o impacto vai além da geração de energia, pois há muito potencial para a geração de postos de trabalho qualificados e expansão industrial, devido à ampla cadeia logística e a infraestrutura necessárias para montar os parques eólicos dentro do mar.

Interesse global

A Coalizão reúne nomes de peso como o Global Wind Energy Council (GWEC) referência global em energia eólica -, além da brasileira Oceânica, que tem experiência no setor, e Mingyang, Windar, Ocean Winds, dentre outras. Gigantes do setor energético já sinalizam interesse no mercado brasileiro, incluindo Petrobras, Equinor, TotalEnergies, Shizen Energy, Shell e Copenhagen Infrastructure Partners.

O avanço regulatório – fruto do alinhamento entre Governo Federal e Congresso Nacional – será determinante para acelerar todo esse potencial de geração eólica, posicionando o Brasil como protagonista global na transição energética e na economia de baixo carbono.

 

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