LIDE LIVE CEARÁ

Especialistas dizem que vacinação e medidas sustentáveis deverão promover o reerguimento da economia nacional

Por Marcelo - Em 9 de fevereiro de 2021

O recrudescimento de casos de Covid-19 no Brasil, o trabalho da ciência em prol da descoberta das vacinas, a corrida pela imunização da população brasileira e as novas consequências para a saúde pública e para a economia do Brasil pautaram as discussões da Live promovida pelo LIDE Ceará na noite desta segunda-feira (8).

Na oportunidade, uma análise dos cenários para 2021 foi debatida pela pneumologista e pesquisadora da Fiocruz, Margareth Dalcolmo, e pelo pesquisador associado em políticas públicas no Insper, o economista Marcos Mendes. O debate foi conduzido pela presidente do LIDE Ceará, Emília Buarque, que instigou a cientista a avaliar o movimento atual de vacinação iniciado recentemente no Brasil.

Live do LIDE Ceará debateu as consequências da economia para a a saúde e a economia do País                       Foto: Divulgação

Com um olhar atento para o momento delicado gerado pela pandemia de Covid-19, Margareth Dalcolmo destacou que o País pode vacinar pelo menos 70% da população em seis meses, a depender da parceria entre o setor público e a iniciativa privada. Para ela, é essencial que a população esteja protegida para o reerguimento do País. “Não vamos recuperar a economia sem vacinar um mínimo de 70% a 80% da população”, destacou Dalcolmo.

Segundo a pesquisadora, a Fiocruz e o Instituto Butantan são instituições com capacidade de colaborar no processo de vacinação ampla ao abastecer o Brasil com imunizantes suficientes para prover um número de doses superior à população brasileira, considerando que ambas as vacinas desenvolvidas são de duas doses.

“E do ponto de vista logístico, se nós quisermos e houver uma decisão política com grande participação da sociedade civil e da iniciativa privada ajudando, no sentido de prover toda essa logística, podemos vacinar uma ampla parcela da população em até um semestre”, acrescenta.

Integrante do Movimento Unidos pela Vacina, que é apoiado pelo LIDE, o empresário Deusmar Queirós participou como debatedor do evento e reforçou a fala de Margareth Dalcolmo sobre a parceria entre poder público e iniciativa privada, dizendo estar disposto a colocar a sua rede de farmácias para apoiar a vacinação.

Avaliando as questões econômicas, Marcos Mendes fez um apanhado histórico, relembrando o cenário brasileiro desde a década de 80 que trouxe a economia até o patamar atual, complementando a importância de continuar os debates sobre as reformas, que estavam na agenda do Governo Federal no início do mandato, mas que ainda não andaram.

O economista se mostrou cético em relação à implantação das reformas e ressaltou ainda que o auxílio emergencial teve uma cobertura maior que a necessária, com uma visão distorcida de que seria possível reerguer parte da economia somente com essa medida para mitigar os efeitos da pandemia.

“O auxílio não deve ser visto como um instrumento para recuperar a economia, pois é caro e de efeito muito efêmero. O auxílio é uma espécie de seguro para pessoas muito afetadas pela pandemia e não um mecanismo de distribuição de renda”, comentou Mendes.

O economista destacou ainda que em plena crise econômica e com a consequente queda da renda do país, diminuir a desigualdade é necessário, mas com medidas planejadas e sustentáveis. “A desigualdade se reduz com políticas estruturais que vão além de simplesmente o governo distribuir dinheiro. Se for para pagar auxílio agora, tem que se buscar fontes que não aumentem da dívida pública”, explicou.

Ao final, a presidente do LIDE Ceará, Emília Buarque, chamou a atenção para a importância de não se vilanizar setores da economia que estão sofrendo muito com o impacto da crise. “A responsabilidade deve ser de cada cidadão em se proteger, usar máscara e seguir os protocolos até que avancemos na vacinação. A culpa do aumento de casos não deve ser colocada em quem segue as orientações sanitárias. Não dá para responsabilizar, por exemplo, o garçom que atende os clientes no restaurante devidamente protegido com máscara e faceshield”.

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