MERCADO

Estrangeiros retiram R$ 11,9 bilhões da Bolsa em sete pregões de agosto

Por Redação - Em 14/08/2026 às 4:20 PM

Dinheiro, Cédulas De Rela Foto Bcb

Movimento já equivale a 80% das retiradas registradas em maio e ocorre em meio à maior cautela com cenário fiscal, juros e eleições

O investidor estrangeiro intensificou a retirada de recursos da Bolsa brasileira em agosto. Em apenas sete pregões, até o dia 11, o saldo ficou negativo em R$ 11,93 bilhões, sem considerar operações de IPO e follow-on, segundo levantamento da Elos Ayta elaborado a partir de dados da B3.

Mesmo com o mês ainda em andamento, o volume já coloca agosto como o segundo período de maior saída de capital estrangeiro da Bolsa em 2026. O resultado só fica atrás de maio, quando os resgates líquidos chegaram a R$ 14,91 bilhões.

A velocidade do movimento chama atenção: em sete sessões, os estrangeiros retiraram o equivalente a aproximadamente 80% de tudo o que deixou o mercado acionário brasileiro durante maio. Em julho, por outro lado, havia sido registrada entrada líquida de R$ 2,56 bilhões.

A maior pressão ocorreu em 11 de agosto. Somente naquele pregão, investidores internacionais retiraram R$ 4,7 bilhões da B3, maior saída diária desde abril de 2021. Na mesma sessão, o Ibovespa recuou 2,5%.

O movimento coincidiu com a decisão do JPMorgan de reduzir a recomendação para as ações brasileiras de “overweight”, equivalente a uma exposição acima da média, para “neutra”. Entre os fatores considerados pelo banco estão o encerramento do ciclo de redução dos juros, sinais de desaceleração da economia e deterioração das condições de crédito.

A mudança de percepção ocorre após um início de ano marcado pelo forte ingresso de capital internacional. Somente em janeiro, o saldo positivo alcançou R$ 26,31 bilhões, montante superior ao registrado durante todo o ano de 2025.

Cenário eleitoral entra no radar

A reversão do fluxo acontece em um momento de maior cautela dos investidores com os ativos brasileiros. Além dos juros, o mercado acompanha as perspectivas fiscais e começa a incorporar às decisões de alocação as incertezas relacionadas às eleições presidenciais.

O risco eleitoral, que até julho ainda não estaria integralmente refletido nos preços dos ativos, passou a ganhar espaço nas avaliações do mercado à medida que a disputa se aproxima. A forte retirada registrada em agosto é vista como um possível sinal dessa mudança de percepção.

O ambiente internacional também influencia o movimento. Tensões geopolíticas, dúvidas sobre a trajetória dos juros nos Estados Unidos e a valorização do mercado acionário norte-americano ampliam a competição global pelo capital.

Estrangeiros ainda mantêm saldo positivo em 2026

Apesar das retiradas recentes, o fluxo acumulado de capital estrangeiro na Bolsa brasileira permanece positivo em 2026, sustentado principalmente pelo forte ingresso de recursos registrado no primeiro trimestre.

O comportamento desses investidores tem impacto relevante sobre o mercado doméstico. Os estrangeiros representam cerca de 60% da participação nas negociações da Bolsa brasileira, o que amplia a influência dos movimentos de entrada e saída de recursos sobre preços e liquidez dos ativos.

A trajetória das próximas semanas deverá indicar se agosto representa apenas um ajuste de posições ou uma mudança mais duradoura na disposição do capital internacional em relação ao Brasil. Com R$ 11,93 bilhões retirados em apenas sete pregões, o ritmo já coloca o fluxo estrangeiro entre os principais vetores de atenção do mercado neste segundo semestre.

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