
Preço do petróleo teve alta, impulsionado por ataques contra infraestruturas energéticas no Golfo Pérsico. Foto: Ilustração
Os Estados Unidos emitiram nesta quinta-feira (12/3) uma licença temporária que permite a venda de petróleo bruto e derivados da Rússia já carregados em navios até 11 de abril, segundo o site do Departamento do Tesouro americano. A decisão marca a primeira suspensão das sanções contra a Rússia desde o início da Guerra da Ucrânia, em fevereiro de 2022, quando Moscou invadiu o país vizinho.
De acordo com o secretário do Tesouro, Scott Bessent, a autorização é uma medida “de curto prazo” e se aplica apenas ao petróleo que já está em trânsito marítimo, ressaltando que “não proporcionará benefício financeiro significativo ao governo russo”.
A flexibilização coincide com um novo salto nos preços do petróleo, impulsionado por ataques contra infraestruturas energéticas no Golfo Pérsico. Nesta quinta-feira (12/3), o barril do Brent, referência internacional, fechou a US$ 101,75, com alta diária de 10,6%, superando novamente a marca de US$ 100 pela primeira vez desde 2022. Na segunda-feira (9), a commodity chegou a US$ 119,46, refletindo a instabilidade geopolítica e o fato de que navios-petroleiros têm evitado o estreito de Hormuz, rota por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás.
Mesmo após a Agência Internacional de Energia (AIE) aprovar a liberação de 400 milhões de barris de suas reservas, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou que a Marinha americana ainda não pode escoltar navios na região, embora seja “bastante provável” que isso ocorra até o fim do mês e que seja improvável o petróleo atingir US$ 200 por barril, mesmo com o Irã mantendo ataques contra embarcações.
Petróleo russo
Desde março de 2022, empresas americanas estão proibidas de comprar petróleo russo, embora o impacto direto tenha sido limitado. O golpe mais significativo ocorreu no final daquele ano, quando a União Europeia passou a restringir a importação da commodity, que representava cerca de 20% do consumo do bloco.
Posteriormente, os Estados Unidos ampliaram a pressão com limites de preço ao barril russo e, em outubro do ano passado, o então presidente Donald Trump determinou sanções a qualquer negócio envolvendo as duas maiores petroleiras russas, a estatal Rosneft e a privada Lukoil, medida que afetou as exportações do país nos meses seguintes.
O temor das chamadas sanções secundárias dos EUA também impactou empresas de transporte marítimo e importadores globais, incluindo a Índia, que se tornou o segundo maior destino do petróleo russo após a guerra, atrás apenas da China. O país asiático havia firmado um acordo para interromper as compras com a administração Trump, mas na semana passada Washington suspendeu o veto por 30 dias, tentando evitar um agravamento da crise energética em meio à guerra no Oriente Médio.

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