ADAPTAÇÕES ESTRATÉGICAS

Exportações do Ceará aos Estados Unidos avançam 59% e desafiam cenário adverso

Por Marcelo Cabral - Em 09/01/2026 às 1:28 PM

O Ceará consolidou, em 2025, um desempenho expressivo nas exportações destinadas aos Estados Unidos, avançando mesmo diante de um cenário internacional adverso, com restrições comerciais e o ‘tarifaço’ imposto por Donald Trump. Levantamento da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indica que as vendas cearenses para o mercado norte-americano cresceram 59,45% no período. No acumulado do ano, o Estado exportou US$ 2,3 bilhões – resultado 55,6% superior ao registrado em 2024.

Placas de aço da ArcelorMittal tiveram participação expressiva no resultado       Foto: George Lucas/FIEC

Para a gerente do Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), Karina Frota, o avanço evidencia a maturidade e a capacidade de adaptação da indústria local frente a momentos tão desafiadores. “A combinação de planejamento, leitura de mercado e apoio institucional tem sido decisiva para que a indústria cearense avance mesmo diante de um cenário muito adverso”, avalia.

Segundo ela, o desempenho positivo também está diretamente relacionado à atuação estratégica das empresas exportadoras cearenses. “As indústrias que exportam para os Estados Unidos monitoraram riscos de forma contínua e negociaram preços e prazos com seus importadores, o que ajudou a reduzir os impactos das tarifas adicionais”, ressalta.

Setor de alta relevância

A indústria de transformação respondeu pela maior fatia das exportações cearenses em 2025, com embarques de US$ 1,97 bilhão – o equivalente a 85,75% do total vendidos pelo Estado ao exterior. O segmento avançou 54,33% em relação ao ano anterior, impulsionado sobretudo pelos setores de ferro e aço, calçados e produtos de maior valor agregado.

Dentro deste cenário, a gerente do CIN observa que “a continuidade da recuperação dos embarques do setor de ferro e aço teve papel central no resultado”. Mas destaca, ainda, que esta situação deve ser somada ao bom desempenho apresentado pelos setores de rochas ornamentais, calçados e frutas.

Karina Frota diz que a agropecuária também apresentou evolução relevante, alcançando US$ 198,5 milhões em exportações, crescimento de 46,11% na comparação com 2024. Já a indústria extrativa registrou a maior expansão percentual entre os segmentos, ao saltar de US$ 48,4 milhões para US$ 106,5 milhões, o que representa uma alta de 120,12% no mesmo período.

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