Mercado Imobiliário

Fortaleza ainda está subprecificada e pode viver novo ciclo de valorização dos imóveis, avalia Ricardo Bezerra

Por Fernando Benevides - Em 02/07/2026 às 12:01 AM

Especialista vê amplo espaço para crescimento dos preços na Capital, enquanto números da última década mostram um mercado que multiplicou vendas, lançamentos e VGV sem acompanhar a mesma velocidade na valorização do metro quadrado

Ricardo Bezerra (13)

Ricardo Bezerra, diretor da Lopes Immobilis e idealizador do Flash Imobiliário. Foto: Portal IN

Enquanto boa parte dos brasileiros acredita que o forte crescimento do mercado imobiliário já elevou os preços dos imóveis ao limite, um dos principais especialistas do setor no Ceará sustenta exatamente o contrário. Para Ricardo Bezerra, diretor da Lopes Immobilis e idealizador do Flash Imobiliário, Fortaleza ainda opera abaixo do seu verdadeiro potencial de valorização e pode viver um novo ciclo de crescimento nos próximos anos.

A afirmação ganha relevância quando confrontada com os números da última década. Entre 2016 e 2025, o Valor Geral de Vendas (VGV) do mercado imobiliário cearense saltou de R$ 1,7 bilhão para R$ 8,2 bilhões, enquanto o número de unidades comercializadas cresceu de 2.587 para 18.543. Já o preço médio do metro quadrado passou de R$ 6 mil para R$ 8.016, avanço de aproximadamente 34% no período. Para 2026, a projeção do Flash Imobiliário é que o mercado alcance a marca histórica de R$ 10 bilhões em vendas e lançamentos.

A leitura desses números leva Ricardo Bezerra a uma conclusão que pode interessar diretamente a investidores, compradores e incorporadoras.

“Eu sempre tenho dito que o mercado cearense está subprecificado. Em outras palavras, quem comprar imóveis na atualidade poderá estar fazendo um grande negócio.”

Os números contam uma história diferente

Durante muitos anos, consolidou-se a percepção de que o crescimento do mercado imobiliário seria consequência apenas da valorização dos imóveis. Os dados do Ceará mostram uma realidade mais complexa.

Na última década, o número de unidades vendidas aumentou mais de 617%, enquanto o Valor Geral de Vendas avançou aproximadamente 387%. Já o preço médio do metro quadrado registrou alta de cerca de 34%.

Na prática, isso significa que o mercado cresceu muito mais porque passou a vender mais imóveis do que simplesmente porque eles ficaram mais caros. O aumento da demanda foi acompanhado por um volume crescente de lançamentos, o que contribuiu para manter um equilíbrio entre oferta e procura.

Esse comportamento é considerado um dos sinais de maior maturidade do mercado imobiliário local.

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O exemplo da Beira-Mar

Para explicar por que acredita que Fortaleza ainda possui espaço para valorização, Ricardo Bezerra utiliza justamente o endereço mais valorizado do Estado.

Segundo ele, os terrenos localizados na Avenida Beira-Mar já alcançam valores próximos de R$ 100 mil por metro quadrado, um dos preços mais elevados do Brasil.

Entretanto, os apartamentos de alto padrão comercializados na região somente agora começam a atingir a faixa de R$ 30 mil por metro quadrado.

Na avaliação do executivo, essa diferença demonstra que existe uma defasagem entre o valor do terreno e o valor final dos imóveis.

“Temos um dos preços por metro quadrado de terrenos mais caros do país. Porém, o metro quadrado dos apartamentos da Beira-Mar somente agora chegou próximo dos R$ 30 mil.”

Comparação com São Paulo

Para ilustrar sua tese, Ricardo Bezerra recorre a um dos mercados imobiliários mais consolidados do país.

Segundo ele, nos Jardins, em São Paulo, os terrenos custam aproximadamente metade do observado nas áreas mais valorizadas da Beira-Mar de Fortaleza. Mesmo assim, apartamentos de alto padrão podem ultrapassar R$ 100 mil por metro quadrado.

Para o especialista, essa diferença indica que Fortaleza ainda não atingiu um ponto de equilíbrio entre o valor do solo urbano e o preço final dos imóveis.

“Repito: estamos subprecificados. Ainda há muito espaço para que os preços subam e atinjam o equilíbrio.”

Embora essa seja a avaliação do especialista, ela encontra respaldo em uma década marcada por forte expansão da demanda e crescimento consistente dos indicadores do setor.

Mais compradores, mais lançamentos

Outro indicador reforça a transformação vivida pelo mercado.

Em 2016, o Ceará lançou apenas 859 unidades. Em 2025, esse número chegou a 16.656 unidades, e a expectativa para 2026 é alcançar aproximadamente 18 mil lançamentos.

O avanço da oferta acompanhou o crescimento da procura e ajudou a evitar um desequilíbrio que normalmente pressiona os preços de forma acelerada.

Para investidores, esse é um sinal importante. Mercados que conseguem expandir vendas e lançamentos simultaneamente costumam apresentar maior liquidez, reduzindo riscos de excesso de oferta ou de formação de bolhas.

A próxima força do mercado pode vir dos juros

Na avaliação de Ricardo Bezerra, o atual momento do mercado ainda pode ganhar um novo impulso.

O fator decisivo, segundo ele, será a esperada redução da taxa básica de juros.

“Esse ritmo de crescimento continuará numa crescente, não somente por conta da pujança que temos em Fortaleza, mas também por algo que certamente acontecerá e que tanto almejamos: a queda da taxa de juros nacional.”

Com crédito mais barato, a tendência é de ampliação da capacidade de compra das famílias, aumento da demanda por imóveis e fortalecimento de novos lançamentos, criando um ambiente ainda mais favorável para o setor.

O que o investidor deve observar

Mais do que registrar recordes históricos, o mercado imobiliário cearense passa por uma mudança estrutural.

Nos próximos anos, a atenção deverá se concentrar em fatores que podem redefinir a dinâmica do setor: bairros com maior potencial de valorização, crescimento dos apartamentos compactos e studios, evolução dos aluguéis e da rentabilidade dos imóveis, mudanças no perfil dos compradores, expansão da Região Metropolitana de Fortaleza, novos empreendimentos de uso misto e bairros planejados, além da redução dos juros e seus impactos sobre o crédito imobiliário.

Por que isso importa

A principal mensagem dos números é que o crescimento do mercado imobiliário cearense foi sustentado por uma expansão consistente da demanda, dos lançamentos e da atividade econômica, e não apenas pela valorização dos preços. A tese apresentada por Ricardo Bezerra acrescenta uma perspectiva estratégica: se Fortaleza realmente estiver abaixo do seu potencial de precificação, como ele avalia, o atual ciclo poderá representar uma oportunidade relevante para investidores e compradores que pensam no longo prazo.

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