Reestruturação
Grupo Pão de Açúcar fecha acordo com credores e projeta reduzir dívida em mais de R$ 2 bilhões
Por REDAÇÃO - Em 06/05/2026 às 1:21 PM

Grupo Pão de Açúcar busca reorganizar estrutura financeira e reduzir pressão sobre o caixa nos próximos anos — Foto: arquivo/Portal IN
O Grupo Pão de Açúcar (GPA) avançou no processo de recuperação extrajudicial ao fechar acordo com a maioria dos credores envolvidos na renegociação de uma dívida estimada em R$ 4,6 bilhões. A companhia informou que recebeu adesão de 57% dos credores não operacionais, percentual acima do mínimo legal exigido para validação do plano.
Com a operação, o grupo projeta reduzir em mais de R$ 2 bilhões o endividamento e aliviar cerca de R$ 4,5 bilhões em desembolsos financeiros nos próximos anos, aumentando a previsibilidade de caixa e a capacidade operacional da empresa.
O plano de reestruturação foi desenhado em três frentes: alongamento das dívidas, conversão parcial em capital e aplicação de descontos para parte dos credores.
Entre os credores apoiadores, o GPA prevê a emissão de aproximadamente R$ 2,6 bilhões em instrumentos financeiros. Desse total, R$ 1,5 bilhão será convertido em debêntures com carência de dois anos e pagamentos escalonados até 2031. Outros R$ 1,1 bilhão estarão ligados a instrumentos conversíveis em ações da companhia.
Já os credores que não aderirem ao acordo terão cerca de R$ 2 bilhões reestruturados com deságio de 70%, com vencimentos previstos apenas para 2036. O GPA também busca captar cerca de R$ 200 milhões adicionais para reforçar a liquidez no curto prazo.
Pressão financeira
A renegociação ocorre em meio a um cenário de forte pressão financeira sobre a companhia. O grupo, que encerrou 2025 com faturamento de R$ 20,6 bilhões, vinha acumulando prejuízos trimestrais, aumento da dívida de curto prazo e pressão sobre o fluxo de caixa.
Segundo o CEO Alexandre Santoro, que assumiu o comando da empresa recentemente, parte da crise financeira está ligada a compromissos herdados de gestões anteriores, além do impacto da taxa básica de juros em níveis elevados.
Mesmo diante da recuperação extrajudicial, o GPA afirma que suas operações seguem normalmente e que fornecedores, clientes e parceiros não fazem parte do plano de renegociação. Atualmente, o grupo possui 728 lojas, cerca de 37 mil funcionários e recebe mais de 20 milhões de clientes por mês.
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