Nova fronteira

JBS aposta em superproteínas para reagir ao avanço das canetas emagrecedoras

Por Redação - Em 06/04/2026 às 9:00 AM

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A nova abordagem prioriza ciência, biotecnologia e desenvolvimento de ingredientes com maior valor agregado

A rápida expansão dos medicamentos para perda de peso, como as chamadas “canetas emagrecedoras”, tem levado a JBS a reposicionar sua estratégia global. A companhia busca reduzir riscos ao consumo de carne e ampliar sua presença em segmentos de maior valor agregado, como proteínas funcionais e suplementos.

O movimento ocorre em um contexto de transformação no mercado de alimentos. O uso de medicamentos à base de GLP-1, que reduzem o apetite, tende a alterar padrões de consumo e pressionar a demanda por proteínas tradicionais. No Brasil, esse mercado deve saltar de R$ 11 bilhões em 2025 para R$ 20 bilhões em 2026, impulsionado pela entrada de genéricos e maior acesso aos tratamentos.

Diante desse cenário, a JBS vem acelerando investimentos em inovação. A empresa criou uma frente dedicada ao desenvolvimento de “superproteínas”, ingredientes com propriedades funcionais voltados à nutrição de precisão, capazes de atuar no metabolismo e na saúde dos consumidores. Esse mercado global de suplementos proteicos já movimenta cerca de US$ 30 bilhões e cresce a uma taxa anual próxima de 10%.

A estratégia marca uma mudança relevante no modelo de negócios da companhia, tradicionalmente focado na produção de carne in natura. A nova abordagem prioriza ciência, biotecnologia e desenvolvimento de ingredientes com maior valor agregado, incluindo aplicações nos setores alimentício, farmacêutico e de saúde.

Além de capturar novas fontes de receita, a diversificação também busca mitigar impactos indiretos das terapias para obesidade. O avanço desses medicamentos pode reduzir o consumo calórico e, consequentemente, afetar a demanda por proteínas animais em mercados desenvolvidos.

Ao investir em inovação e ampliar seu portfólio, a JBS tenta se posicionar em uma cadeia mais ampla de nutrição, que vai além da carne tradicional. A aposta é que a próxima fase do setor será menos dependente de volume e mais orientada por tecnologia, funcionalidade e saúde — um movimento que redefine a competição global na indústria de alimentos.

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