recuo de 5,5%

Juros altos e crédito restrito derrubam receita da indústria de fertilizantes especiais

Por Redação - Em 29/05/2026 às 12:01 AM

Fertilizantesbrasil

Mesmo diante do cenário adverso, segmentos de maior valor agregado mostraram maior resistência

A indústria brasileira de fertilizantes especiais e biofertilizantes encerrou 2025 com faturamento de R$ 25,4 bilhões, resultado 5,5% inferior ao registrado no ano anterior. O desempenho negativo reflete um cenário de juros elevados, restrição de crédito, aumento da inadimplência e redução das margens do produtor rural.

Os dados foram levantados pela Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia para Produção Vegetal (Abisolo), entidade que representa mais de 140 empresas do setor. Segundo o estudo, apesar da retração na receita, os volumes comercializados não apresentaram queda expressiva, indicando que os produtos seguem considerados estratégicos para o manejo agrícola.

De acordo com o presidente do Conselho Deliberativo da Abisolo, Roberto Levrero, o ambiente econômico pressionou toda a cadeia do agronegócio. Com menor rentabilidade no campo e acesso mais restrito ao crédito, produtores passaram a adiar decisões de compra e intensificaram a busca por preços menores de insumos.

Mesmo diante do cenário adverso, segmentos de maior valor agregado mostraram maior resistência. Os biofertilizantes registraram crescimento nas vendas, impulsionados pela ampliação do número de registros junto ao Ministério da Agricultura e pela maior demanda por tecnologias voltadas ao aumento da produtividade. Fertilizantes orgânicos também apresentaram avanço, favorecidos pela recuperação dos preços médios de comercialização em 2025.

Na direção oposta, produtos mais “comoditizados” sofreram maior pressão sobre preços e margens, contribuindo para o resultado consolidado negativo da indústria.

O levantamento ocorre em um momento de incerteza para o setor de insumos agrícolas. Dados do Sindiveg mostram que a área tratada com defensivos agrícolas no Brasil cresceu 7,5% em 2025, superando 2,6 bilhões de hectares protegidos. Ainda assim, o setor acompanha com preocupação a alta dos custos de fertilizantes e defensivos para a próxima safra.

Apesar da retração em 2025, o segmento mantém expectativa de retomada do crescimento. Publicações ligadas à Abisolo indicam que empresas do setor projetam expansão próxima de 10% em 2026, sustentada pela demanda por tecnologias de maior eficiência agronômica.

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