sistema financeiro
Juros altos e crise externa levam bancos a reforçar em R$ 44,8 bilhões reservas para inadimplência no 1º trimestre
Por Redação - Em 18/05/2026 às 7:00 AM

O aumento ocorre em meio aos efeitos defasados da Selic em 15%, que encarece o crédito e amplia a pressão sobre tomadores
Os principais bancos do País elevaram em 33% as despesas com provisões para perdas com inadimplência no primeiro trimestre de 2026, em um movimento defensivo diante da combinação de juros elevados, escalada geopolítica no Oriente Médio e avanço do endividamento de famílias e empresas. Banco do Brasil, Santander, Itaú Unibanco e Bradesco somaram R$ 44,8 bilhões em provisões contra devedores duvidosos (PDD) entre janeiro e março.
O aumento ocorre em meio aos efeitos defasados da Selic em 15%, que encarece o crédito e amplia a pressão sobre tomadores, além da alta do petróleo provocada pela guerra, fator que reduz espaço para cortes mais rápidos de juros pelo Banco Central. Parte da expansão também reflete a implementação da resolução CMN 4.966, que endureceu critérios de classificação de risco e antecipou o reconhecimento de perdas esperadas.
O Banco do Brasil concentrou a deterioração mais intensa entre as grandes instituições, com custo de crédito de R$ 18,9 bilhões no trimestre, avanço de 86% em relação a igual período do ano anterior. O agronegócio respondeu por R$ 7,4 bilhões desse total, em meio à volatilidade de commodities e eventos climáticos extremos. A inadimplência rural da instituição saltou de 2,76% para 6,22% em 12 meses.
Nos bancos privados, o Santander registrou a pior deterioração relativa, com inadimplência acima de 90 dias subindo para 3,3%, alta de 0,6 ponto porcentual em um ano. No Bradesco, o custo de crédito avançou para 3,5% da carteira média, enquanto o Itaú manteve inadimplência estável em 1,9%, embora com pressão maior em segmentos de pequenas e médias empresas.
O avanço das provisões sinaliza um sistema financeiro mais cauteloso, com instituições reforçando colchões de proteção diante de um cenário macroeconômico mais adverso e maior risco de deterioração da qualidade do crédito ao longo de 2026.
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