TRANSFORMAÇÃO DO CRÉDITO
Mercado de FIDCs deverá atingir a marca hitórica de R$ 1 trilhão no início do ano
Por Marcelo Cabral - Em 05/01/2026 às 12:24 PM
O mercado de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) inicia 2026 sob uma projeção que até pouco tempo atrás parecia distante: alcançar R$ 1 trilhão em patrimônio líquido já nos primeiros meses do ano. Após encerrar 2025 acima de R$ 810 bilhões, a indústria entra em um novo patamar, impulsionada por uma transformação estrutural no crédito brasileiro e por um apetite crescente de investidores por alternativas fora do sistema bancário tradicional.

Leandro Turaça diz que vários fatores convergem para a expansão dos FDICs Foto: Divulgação
O ritmo acelerado não é episódico. Ele reflete um movimento mais profundo de migração do crédito no País, no qual empresas passam a buscar fontes mais flexíveis de financiamento e investidores aumentam sua exposição a ativos estruturados. A consolidação da CVM 175, ao ampliar o acesso a diferentes perfis de investidores, somada à maturação das estruturas sêniores e subordinadas, criou um ambiente de maior escala, previsibilidade e segurança – fatores decisivos para sustentar o crescimento do setor. Ao chegar a 2026, os FIDCs exibem uma indústria mais diversificada, com originação sofisticada e demanda crescente por crédito pulverizado.
Esse avanço também é consequência direta da desaceleração do crédito bancário tradicional e da reconfiguração do mercado de capitais como principal vetor de diversificação financeira das empresas. Embora 76% do crédito nacional ainda circule nos bancos, estudos recentes da Ouro Preto Investimentos apontam para uma redução gradual dessa concentração. O levantamento indica que o mercado de capitais pode alcançar 37% de participação até 2029 e ultrapassar o sistema bancário em 2034, quando 51% do crédito deverá estar fora dos bancos.
Para Leandro Turaça, sócio-gestor da Ouro Preto, o movimento é resultado de múltiplos vetores convergentes: aumento da demanda por alternativas de financiamento, busca por originação especializada e a capacidade dos FIDCs de atender empresas de diferentes portes e segmentos. Nesse contexto, o amadurecimento de instrumentos como debêntures, CRIs e CRAs fortalece o bloco de produtos responsável por acelerar a descentralização financeira e ampliar o acesso das companhias a capital competitivo.
A perspectiva para 2026 é clara: expansão contínua. Estruturas mais complexas, fundos multissetoriais e originação de recebíveis pulverizados devem sustentar o avanço de uma indústria que já representa 6,9% do mercado de fundos, superando inclusive os de ações. Com a digitalização da originação, o apetite institucional por retornos superiores ao CDI e a consolidação do crédito alternativo, os FIDCs caminham para se manter na liderança do crescimento entre as classes – e para redefinir, de forma definitiva, o mapa do crédito no Brasil.
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