Real resiliente
Moedas latino-americanas desafiam dólar forte, com valorização de até 7%
Por Redação - Em 06/04/2026 às 12:11 AM

O real tem sido sustentado por juros ainda elevados e pelo diferencial de rendimento em relação a economias avançadas
A valorização global do dólar em 2026, impulsionada por tensões geopolíticas e pelo fortalecimento da economia dos Estados Unidos, tem pressionado moedas emergentes. Ainda assim, parte da América Latina tem demonstrado resiliência cambial, com destaque para o colón da Costa Rica, o peso argentino e o real brasileiro.
Levantamento recente feito com base em dados de mercado e análises de instituições financeiras aponta que o colón costarriquenho foi a moeda mais forte da região, com valorização de cerca de 7% no ano, alcançando níveis próximos de 465 por dólar, o melhor patamar em duas décadas. O desempenho é sustentado por fluxo elevado de divisas e exportações que atingiram US$ 23 bilhões em 2025.
Na sequência, o peso argentino e o real brasileiro aparecem entre as moedas mais resilientes, mesmo em um ambiente de maior aversão ao risco. O movimento ocorre apesar da pressão externa gerada pela alta do petróleo e pela instabilidade no Oriente Médio, fatores que historicamente favorecem o dólar.
O cenário global tem ampliado a volatilidade. O dólar registrou seu melhor desempenho mensal desde julho de 2025, refletindo o aumento das tensões internacionais e a busca por ativos considerados mais seguros.
Apesar disso, o comportamento das moedas latino-americanas não é homogêneo. Analistas destacam que o desempenho depende de fatores internos, como política monetária, fluxo de capitais e exposição a commodities. Países com fundamentos mais sólidos ou maior entrada de dólares tendem a apresentar maior estabilidade cambial.
No caso brasileiro, o real tem sido sustentado por juros ainda elevados e pelo diferencial de rendimento em relação a economias avançadas, o que atrai capital estrangeiro. Já o peso argentino, mesmo diante de um histórico de volatilidade, tem mostrado reação no curto prazo, apoiado por ajustes econômicos recentes e maior previsibilidade cambial.
Ainda assim, o cenário segue condicionado ao ambiente externo. De acordo com analistas do BBVA, as moedas da região permanecem expostas à baixa tolerância ao risco global e à evolução dos conflitos geopolíticos, especialmente no Oriente Médio, que mantém um prêmio de risco elevado no petróleo.
A combinação desses fatores indica que, embora algumas moedas latino-americanas apresentem ganhos pontuais, como a valorização de até 7% no caso da Costa Rica, o equilíbrio cambial permanece frágil e dependente do comportamento do dólar e das condições globais de liquidez.
Para investidores, o quadro reforça uma dinâmica seletiva: em um ambiente de dólar forte, apenas economias com fundamentos mais robustos e capacidade de atrair capital conseguem sustentar valorização ou estabilidade de suas moedas.
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