Indústria bilionária
Na Itália, esportes de inverno movimentam R$ 32,4 bilhões e tornam Milão-Cortina 2026 um fenômeno econômico
Por Redação - Em 19/02/2026 às 4:14 PM

O Mundial dos esportes de neve também ganhou um caráter histórico para o Brasil com a vitória de Lucas Pinheiro Braathen, que conquistou a primeira medalha de ouro olímpica da história do país FOTO: Divulgação/Rafael Bello/COB
Os esportes de inverno deixaram de ser apenas uma paixão nas regiões alpinas da Itália e se tornaram um verdadeiro império econômico, com impacto que vai muito além das pistas cobertas de neve. Dados da Associação Nacional Italiana dos Fabricantes de Artigos Esportivos (Assosport) mostram que vestuário técnico e equipamentos — como capacetes, esquis e pranchas de snowboard — representam 45% de todo o faturamento da indústria esportiva italiana, cerca de €5,9 bilhões, o equivalente a R$ 32,4 bilhões na cotação atual, dentro de um total de €13 bilhões (aproximadamente R$ 70,2 bilhões) faturados pelo setor no último ano.
Esse peso econômico ficou ainda mais evidente com os Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026, realizados entre 6 e 22 de fevereiro, que estão impulsionando investimentos e turismo em todo o norte da Itália. O impacto econômico esperado dos Jogos nos territórios sediais é de cerca de €5,3 bilhões (aproximadamente R$ 28,6 bilhões), com uma projeção de 2 milhões de visitantes atraídos pelo evento, que combina competições de elite e experiência turística nas cidades e vilas da região.
O Mundial dos esportes de neve também ganhou um caráter histórico para o Brasil com a vitória de Lucas Pinheiro Braathen, que conquistou a primeira medalha de ouro olímpica da história do país — e da América do Sul — nos Jogos Olímpicos de Inverno, ao vencer a prova de slalom gigante.
Indústria esportiva
O complexo econômico por trás desse fenômeno não se resume às competições. O coração industrial dos esportes de inverno na Itália pulsa no chamado distrito do Sportsystem, uma área de 355 quilômetros quadrados localizados entre o Monte Montello e o rio Piave, na província de Treviso. Ali está concentrada boa parte da manufatura de equipamentos, com 7.824 trabalhadores em 579 unidades produtivas, responsáveis por €1,6 bilhão (cerca de R$ 8,64 bilhões) em exportações.
Esse distrito não só é responsável por uma parcela significativa da produção global de botas de esqui — cerca de 65% do total produzido no mundo — como também se destaca nos segmentos de calçados outdoor técnico (80% da produção global) e em uma cadeia ampla de acessórios de alta performance. Do faturamento total do polo industrial, 68 % vem de calçados outdoor e botas, 19% de esquis, snowboards e botas de neve e 13% de bicicletas e acessórios especializados.
Marcas de renome internacional, como Adidas, Salomon, Rossignol e Nike, estão presentes nesse ecossistema, que combina design, tecnologia e tradição artesanal em produtos que competem globalmente em qualidade e inovação.
Além de movimentarem bilhões em vendas, turismo e infraestrutura, os Jogos Milão-Cortina 2026 também colocaram a indústria esportiva italiana no centro das atenções internacionais, transformando um país conhecido por moda e arte em uma potência global dos esportes de inverno, com um modelo de produção e exportação que ultrapassa fronteiras e reafirma a importância econômica estratégica dessa cadeia produtiva.
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