RECUPERAR BRASILEIDADE

Nizan Guanaes diz que comunicação se transformou em estratégia de negócios

Por Marcelo Cabral - Em 28/02/2026 às 5:38 PM

Enquanto boa parte do mercado ainda discute formatos, plataformas e métricas, o publicitário e estrategista Nizan Guanaes, CEO da N.ideias, aponta uma transformação mais profunda: a comunicação deixou de ser publicidade para se tornar estratégia de negócios. Em entrevista à CNBC News, conduzida por Cristiane Pelajo, apresentou uma leitura direta sobre o novo ciclo das marcas, das empresas e do próprio Brasil no cenário global. Segundo ele, a revolução não está na tecnologia – mas na forma como as empresas constroem significado.

Nizan Guanaes lembrou que a melhor campanha de sua vida foi do ‘Plano real’                Foto: Propmark

Para Nizan, o País vive um momento estrutural raro. “O Brasil se expande pelo mundo. O futuro caminhou para o Brasil”, destaca. Na sua avaliação, fatores geopolíticos, recursos naturais, agricultura, energia e cultura posicionam o País como protagonista nas próximas décadas. O desafio, porém, está na narrativa e defende que a publicidade brasileira precisa recuperar sua identidade. “A propaganda perdeu brasilidade. O mundo é digital, mas as marcas precisam voltar a ser brasileiras”.

Estratégia vale mais que verba

Um dos pontos centrais da entrevista é a mudança no modelo de comunicação corporativa. Para Nizan, grandes estruturas perderam vantagem competitiva. O futuro pertence a organizações leves e estratégicas. “Hoje não é mais Davi contra Golias. É Golias tentando enfrentar estruturas pequenas”;

A N.ideias, criada em 2018, nasce exatamente desse conceito: menos operação e mais pensamento estratégico. Segundo ele, sem estratégia, nenhum orçamento é suficiente – mas com estratégia, pequenos investimentos podem gerar enorme impacto.

Ao falar sobre transformação digital, Nizan alerta para um erro recorrente das empresas. “Não pode transformar dado em chatice”. Na visão do publicitário, dados orientam decisões, mas a conexão humana continua sendo o diferencial competitivo das marcas. Criatividade, cultura e repertório seguem sendo insubstituíveis.

Outro ponto enfatizado é o conceito de posicionamento. Para ele, estratégia não é apenas escolher o que fazer – mas principalmente o que não fazer. “Posicionamento é disciplina. É dizer não”. Marcas fortes, segundo Nizan, constroem valor ao longo do tempo por consistência, autenticidade e clareza de identidade – não por adaptação constante a tendências.

“País de oportunidades”

Ao imaginar um possível rebranding do Brasil, Nizan foi direto: “O Brasil é um País de oportunidades”.  Ele destaca que multinacionais continuam expandindo operações no País mesmo diante de desafios estruturais, sinalizando confiança no potencial econômico e criativo brasileiro.

E lembra que entre os momentos marcantes, Nizan apontou aquela que considera sua maior contribuição profissional: “Minha principal campanha foi o Plano Real”. Para ele, a comunicação teve papel decisivo na compreensão popular do projeto econômico que mudou o País nos anos 1990.

Conselho aos jovens criativos

Encerrando a conversa, o estrategista reforçou que criatividade nasce de repertório – não apenas de talento. Você precisa entender os fundamentos da publicidade e alimentar a cabeça com cultura”. Literatura, música, filosofia, comportamento e sociedade, segundo Nizan Guanaes, são tão importantes quanto dominar ferramentas digitais.

Mais notícias

Ver tudo de IN Business