Gestão patrimonial

Nova geração herda até US$ 124 trilhões e redefine estratégia de family offices

Por Redação - Em 30/03/2026 às 11:39 AM

Reunião, Planejamento, Empresáriso Foto Freepik

Family offices e bancos privados têm estruturado programas de formação voltados à sucessão FOTO: Freepik

A maior transferência de riqueza da história está em curso e já altera o funcionamento de family offices e áreas de private banking. Estimativas do mercado apontam que até US$ 124 trilhões devem mudar de mãos nas próximas décadas, exigindo uma preparação estruturada dos herdeiros para assumir a gestão de grandes patrimônios.

Nesse cenário, instituições financeiras passaram a ampliar o escopo de atuação. Mais do que gerir portfólios, family offices e bancos privados têm estruturado programas de formação voltados à sucessão, combinando educação financeira, governança e acompanhamento estratégico. A lógica é reduzir riscos na transição e garantir continuidade do capital ao longo das gerações.

A mudança ocorre em um ambiente mais complexo. O aumento das incertezas geopolíticas, alterações tributárias e maior sofisticação dos mercados têm pressionado essas estruturas a evoluir. Executivos do setor apontam que a gestão de risco, a diversificação internacional e o uso intensivo de tecnologia estão entre as prioridades para manter competitividade.

Ao mesmo tempo, o perfil dos sucessores também mudou. Herdeiros mais jovens tendem a participar de forma ativa das decisões, com interesse em ativos alternativos, investimentos de impacto e estratégias ligadas à inovação. A presença crescente de mulheres nesse processo também tem ampliado a diversidade de abordagem na gestão patrimonial.

Para atender a essa nova demanda, o modelo tradicional, centrado apenas em retorno financeiro, vem sendo substituído por uma oferta mais abrangente. Serviços como planejamento sucessório, estruturação de governança familiar, filantropia e educação financeira passam a integrar o portfólio das casas de wealth management, com o objetivo de capturar todo o ciclo de vida do patrimônio.

Globalmente, esse movimento se conecta à expansão dos investimentos em mercados privados e à busca por maior influência na gestão dos ativos. Family offices têm aumentado a exposição a participações diretas em empresas e ativos ilíquidos, estratégia que combina retorno de longo prazo com controle estratégico.

No Brasil, o fenômeno ganha relevância adicional com a maturidade de empresas familiares fundadas nas décadas de 1980 e 1990, que entram agora em fase de sucessão. A transição exige profissionalização da gestão, estruturas de governança mais robustas e integração entre gerações — um processo que consolida o papel de bancos privados e family offices como articuladores centrais dessa nova etapa do capitalismo familiar.

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