Biotecnologia

Pesquisa da Uece transforma água de coco em produto industrial para nutrição e saúde

Por REDAÇÃO - Em 22/05/2026 às 2:02 PM

Pesquisas desenvolvidas na Uece deram origem a tecnologia cearense com aplicação nas áreas de saúde, nutrição e biotecnologia — Foto: divulgação/Uece

Uma pesquisa desenvolvida há mais de 40 anos pela Universidade Estadual do Ceará (Uece) está prestes a ganhar escala industrial no Estado. Até o fim do primeiro semestre de 2026, será inaugurada em Jaguaretama a primeira biofábrica voltada ao processamento de água de coco em pó e compostos lácteos com aplicação nas áreas de nutrição, saúde e biotecnologia.

A iniciativa nasceu nos laboratórios da Faculdade de Veterinária da Uece a partir das pesquisas lideradas pelo professor emérito José Ferreira Nunes, referência nacional em biotecnologia da reprodução animal. O trabalho começou ainda na década de 1980, com estudos sobre o uso da água de coco em processos ligados à conservação de sêmen caprino e ovino.

As pesquisas evoluíram ao longo das décadas e deram origem à tecnologia da água de coco em pó (ACP), abrindo novas possibilidades de aplicação em nutrição clínica, regeneração de tecidos, conservação de órgãos e nanomedicina.

Agora, a tecnologia desenvolvida dentro da universidade chega à fase industrial com a implantação da biofábrica no Vale do Jaguaribe. A unidade terá capacidade para processar cerca de 2 mil litros de matéria-prima por dia.

Da universidade para a indústria

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Biofábrica em Jaguaretama marca nova etapa da pesquisa da Uece voltada ao aproveitamento industrial da água de coco — Foto: divulgação/Uece

O principal produto será o ACP Lacte, composto nutricional criado a partir da combinação de água de coco em pó e leite de cabra. A patente da tecnologia foi depositada em 2019 pelo grupo de pesquisa da universidade.

Segundo os pesquisadores, o bioproduto foi desenvolvido especialmente para atender populações em situação de vulnerabilidade nutricional, incluindo crianças, idosos e pacientes hospitalizados.

A publicação “Biotecnologias da água de coco: 41 anos de pesquisas de inovações”, organizada pelos professores Cristiane Clemente de Mello Salgueiro e José Ferreira Nunes, destaca que o objetivo é transformar conhecimento científico em solução concreta para desafios sociais, especialmente ligados à fome proteica.

As pesquisas também avançaram na área médica. Estudos envolvendo a linha ACP Derma apontaram resultados promissores no tratamento de feridas crônicas, incluindo casos de pé diabético, com redução no tempo de cicatrização.

A implantação da biofábrica reúne parceria entre a Uece, o Instituto Ecoco do Brasil, a Associação dos Caprinovinocultores de Jaguaretama (Capritama) e a Cooperativa Agroindustrial do Vale do Jaguaribe (Cooprivale), fortalecendo a integração entre universidade, setor produtivo e agricultura familiar.

Com mais de quatro décadas de pesquisas, o grupo acumula dezenas de projetos científicos, centenas de artigos publicados e 12 patentes relacionadas ao uso biotecnológico da água de coco.

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