ENERGIA
Petróleo supera US$ 100 e reacende alerta inflacionário global após tensão no Estreito de Ormuz
Por Redação - Em 13/04/2026 às 12:01 AM

A interrupção logística eleva o risco de desabastecimento e aumenta o prêmio geopolítico embutido nos preços do petróleo FOTO: Agência Brasil
O mercado internacional de petróleo iniciou a semana sob forte pressão altista, após a escalada geopolítica envolvendo o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de escoamento de energia do mundo. Na abertura dos mercados, o barril do tipo Brent voltou a superar a marca de US$ 100, atingindo níveis próximos de US$ 103, em reação direta ao bloqueio parcial da passagem marítima.
A alta reflete o aumento imediato do risco sobre a oferta global. O estreito concentra cerca de 20% do comércio marítimo de petróleo, tornando qualquer interrupção um fator crítico para os preços internacionais .
Dados de mercado indicam que o Brent avançou cerca de 8% nas primeiras negociações, enquanto o petróleo WTI também ultrapassou a faixa dos US$ 100, acompanhando o movimento de forte valorização das commodities energéticas .
O movimento ocorre após o anúncio de medidas de restrição no Estreito de Ormuz, em meio ao agravamento das tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã. A região já vinha operando sob instabilidade desde o fim de fevereiro, com episódios de ataques e redução significativa do tráfego de navios petroleiros .
A interrupção logística eleva o risco de desabastecimento e aumenta o prêmio geopolítico embutido nos preços do petróleo. Analistas avaliam que, em cenários de bloqueio prolongado, os efeitos podem se estender por meses, pressionando cadeias produtivas e custos globais de energia .
A reação não se limita ao petróleo. Os contratos futuros de gás natural na Europa registraram alta de até 18%, refletindo a interdependência entre mercados energéticos e a preocupação com a oferta global .
Esse encarecimento tende a se traduzir em pressão inflacionária, sobretudo em economias dependentes de importação de energia. Combustíveis mais caros impactam diretamente transporte, produção industrial e alimentos, ampliando o risco de desaceleração econômica em diversas regiões.
O episódio reforça a sensibilidade do mercado de petróleo a choques geopolíticos. Mesmo após períodos recentes de alívio, como tentativas de cessar-fogo, a instabilidade na região mantém elevada a volatilidade dos preços.
Especialistas apontam que o equilíbrio do mercado dependerá da duração das restrições no estreito e da capacidade de produtores compensarem eventuais perdas de oferta. Em um cenário de continuidade das tensões, o petróleo tende a permanecer acima dos US$ 100, com impactos diretos sobre inflação global, política monetária e custos logísticos.
A nova escalada evidencia, mais uma vez, o papel estratégico da energia na dinâmica econômica internacional e recoloca o risco geopolítico como variável central na formação de preços de commodities.
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