ORIENTE MÉDIO

Petróleo volta a cruzar Ormuz após impasse marítimo e tensão entre Irã e EUA

Por REDAÇÃO - Em 20/05/2026 às 10:43 AM

Movimentação de embarcações no Golfo Pérsico volta a ganhar ritmo em meio à crise geopolítica — Foto: arquivo/Portal IN

Após mais de dois meses de paralisação no Golfo Pérsico, três superpetroleiros começaram a cruzar o Estreito de Ormuz transportando cerca de 6 milhões de barris de petróleo rumo aos mercados asiáticos. O movimento ocorre em meio à escalada das tensões entre EUA, Israel e Irã, que reduziu drasticamente o fluxo marítimo em uma das rotas mais estratégicas para o abastecimento global de energia.

Dados de navegação da LSEG e da Kpler mostram que os navios fazem parte de um grupo de embarcações que aguardava autorização para deixar a região desde março. O corredor marítimo responde normalmente por cerca de um quinto da oferta mundial de petróleo e derivados, mas a guerra iniciada no fim de fevereiro provocou uma forte retração no tráfego comercial e elevou o alerta internacional sobre riscos logísticos e energéticos.

Entre as embarcações que deixaram o Golfo está o superpetroleiro sul-coreano Universal Winner, carregado com aproximadamente 2 milhões de barris de petróleo do Kuwait e com destino ao porto de Ulsan, onde funciona a maior refinaria da Coreia do Sul. O movimento reforça a retomada gradual das exportações de energia para países asiáticos, principais compradores do petróleo da região.

Clima ainda tenso

Apesar da liberação parcial da rota, o ambiente operacional ainda é considerado de alto risco. Associações internacionais do setor marítimo emitiram novos protocolos de navegação alertando para ameaças envolvendo ataques, drones, minas marítimas e congestionamento imprevisível no estreito. A avaliação é de que centenas de embarcações seguem retidas na região, o que pode gerar um gargalo logístico caso o fluxo volte rapidamente ao normal.

Antes do conflito, o Estreito de Ormuz registrava entre 125 e 140 travessias diárias. Atualmente, o número caiu para cerca de 10 embarcações por dia, incluindo navios cargueiros e petroleiros, segundo análises da Reuters e empresas de monitoramento marítimo. A redução do fluxo vem pressionando o mercado internacional e aumentando a volatilidade dos preços do petróleo e dos custos globais de transporte.

O cenário também ampliou a preocupação de governos e investidores com possíveis impactos nas cadeias globais de abastecimento. O estreito é considerado um dos pontos mais sensíveis da geopolítica mundial por concentrar o escoamento de petróleo, gás natural liquefeito e combustíveis produzidos pelos países do Oriente Médio.

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