Impacto global
Política migratória de Trump provoca queda no turismo internacional e ameaça bilhões em receitas nos EUA
Por Suzete Nocrato - Em 23/02/2026 às 2:50 PM

Vista aérea do Central Park, em Nova York, o pulmão verde de Manhattan que recebe milhões de visitantes todos os anos. Foto: AFP
O turismo internacional nos Estados Unidos enfrenta um cenário adverso. Dados recentes revelam retração expressiva no fluxo de visitantes estrangeiros, em contraste com o crescimento observado no restante do mundo.
Segundo o Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC), enquanto o turismo global avançou no ano passado, os EUA foram o único grande destino a registrar queda no número de visitantes estrangeiros, com redução de 6%. A tendência persistiu em janeiro, quando houve nova retração de 4,8% no volume de turistas internacionais em comparação com janeiro de 2025.
O impacto acumulado preocupa a indústria. “Quando 11 milhões de visitantes internacionais não aparecem, o resultado são bilhões de dólares em perdas econômicas para a indústria de turismo”, disse Erik Hansen, vice-presidente sênior da US Travel Association, entidade que representa empresas organizadoras de viagens para os Estados Unidos e dentro do país.
O dado mais contundente veio do Canadá — tradicionalmente a segunda maior fonte de visitantes para os EUA, atrás apenas do México. O número de turistas canadenses caiu 28% em janeiro, na comparação com janeiro de 2024.
Outros mercados estratégicos também apresentaram retração significativa, como Alemanha e França. Já a Grã-Bretanha, maior mercado emissor de longa distância para o setor turístico americano, registrou crescimento marginal de 0,5% em relação ao ano anterior.
Endurecimento migratório
O ambiente regulatório tem sido apontado como um dos fatores que influenciam a retração. O governo Trump adotou medidas que dificultaram significativamente a entrada de determinados viajantes, incluindo a proibição de visitantes provenientes de mais de uma dúzia de países.
Uma mudança regulatória pode ampliar o impacto econômico. Cidadãos de países que atualmente necessitam apenas de autorização eletrônica para visitar os EUA poderão ser obrigados a fornecer até cinco anos de histórico de mídias sociais como parte do processo de entrada. Segundo o WTTC, a medida poderia provocar uma perda de até US$ 15,7 bilhões em gastos turísticos.
Além disso, foi introduzida uma “taxa de integridade de visto” de US$ 250 para não imigrantes que viajam a turismo ou negócios, com o objetivo declarado de desencorajar a permanência ilegal.
Os procedimentos de entrada também passaram por endurecimento. Viajantes enfrentam triagem mais rigorosa na fronteira, com aumento nas buscas de dispositivos eletrônicos, em alguns casos resultando em detenções e negativa de entrada.
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