RETOMADA CONSISTENTE

Ricardo Nunes afirma que Selic, câmbio e eleições estão promissoras para o varejo

Por Marcelo Cabral - Em 18/02/2026 às 4:45 PM

O ambiente macroeconômico brasileiro começa a alinhar variáveis que, analisadas em conjunto, podem transformar 2026 em um ano de retomada consistente para o varejo nacional. A avaliação é do empresário Ricardo Nunes, fundador da Ricardo Eletro e presidente do Grupo R1, que acompanha de perto três vetores decisivos para o setor: trajetória da taxa Selic, comportamento do câmbio e impacto do calendário eleitoral.

Ricardo Nunes diz que o momento é instigante e positivo para o setor varejista            Foto: Divulgação

Na última reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) manteve a Selic em 15%, mas mudou o tom do comunicado ao sinalizar a possibilidade de início de um ciclo de cortes já a partir de março. Para Nunes, o recado foi claro: “A sinalização, ainda que cautelosa, reforça a expectativa de um processo gradual de flexibilização monetária ao longo do ano“.

Segundo o empresário, a perspectiva de queda dos juros cria duas alavancas fundamentais para o varejo. De um lado, a redução do custo do crédito ao consumidor – especialmente em cartão, consignado e financiamento de bens duráveis – ampliando o poder de compra das famílias. De outro, a diminuição do custo financeiro para as empresas abre espaço para promoções mais agressivas, prazos estendidos e parcelamentos mais acessíveis.

“De acordo com projeções médias do mercado, a Selic pode encerrar 2026 em um intervalo entre 12% e 12,5%. Caso esse cenário se confirme, o impacto sobre o consumo tende a ser relevante, sobretudo em segmentos sensíveis ao crédito, como eletrodomésticos, eletrônicos e bens duráveis em geral”, ressalta.

Momento atual é instigante

Com a experiência de quem inaugurou mais de 1.100 lojas da Ricardo Eletro, liderou operações com cerca de 45 mil colaboradores e atravessou diferentes ciclos econômicos, Nunes avalia o momento como particularmente instigante. À frente do Grupo R1, hoje atua junto a mais de 600 empresários em todo o País, conectando educação empresarial e estratégias de crescimento.

Outro fator relevante é o câmbio. “Paralelamente, observa-se uma apreciação do real frente ao dólar nas últimas semanas. Em fevereiro de 2026, o câmbio vem se movimentando na faixa entre R$ 5,10 e R$ 5,30 – o que alivia pressões de custo para varejistas que dependem de produtos importados, componentes ou mercadorias cotadas em moeda estrangeira. Um real mais forte tende a reduzir a inflação de itens dolarizados e contribui para a recomposição de margens no curto prazo”, afirma.

A inflação também permanece no radar. Embora ainda demande atenção, os dados de janeiro de 2026 indicam uma variação compatível com um afrouxamento monetário moderado, sustentando a expectativa de cortes graduais da Selic ao longo do ano. Apesar disso, ressalta que no horizonte, o calendário eleitoral adiciona uma camada extra de complexidade.

“Historicamente, observa-se um aumento do consumo em determinados segmentos nas fases pré-eleitorais, impulsionado por maior circulação de renda, expectativas positivas e ampliação do crédito. Por outro lado, o período também pode elevar a incerteza política, levando empresas a adiar investimentos de maior prazo. Para o varejo, o desafio está em aproveitar as janelas favoráveis de estímulo ao consumo, ao mesmo tempo em que se protege contra riscos de volatilidade e rupturas na cadeia de suprimentos”, explica.

Atuação estratégica do varejo

Diante desse cenário, o empresário recomenda que o varejo atue de forma estratégica: acelerando campanhas de crédito responsável; ajustando estoques sensíveis ao câmbio; explorando promoções em momentos-chave; protegendo margens com inteligência financeira, e mantendo controle rigoroso da inadimplência.

A convergência entre juros em queda, dólar mais comportado e o ciclo eleitoral cria, segundo ele, uma oportunidade rara. “O varejo não cresce por acaso, ele cresce quando juros, câmbio e confiança começam a trabalhar a favor. Em 2026, quem entender esse ciclo antes vai vender mais, errar menos e sair maior do que entrou”, conclui Ricardo Nunes.

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