MERCADO FARMACÊUTICO
Semaglutida nacional avança no Brasil e amplia concorrência no mercado de canetas
Por Redação - Em 17/08/2026 às 2:17 PM

Desenvolvido pela EMS, Ozivy utiliza versão sintética do princípio ativo do Ozempic e abre uma nova frente de competição em um dos segmentos mais disputados da indústria farmacêutica FOTO: Magnific
O mercado brasileiro de medicamentos à base de semaglutida entrou em uma nova fase com o avanço de versões desenvolvidas por laboratórios nacionais. Entre elas está o Ozivy, da EMS, primeira caneta de semaglutida sintética análoga ao Ozempic autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O movimento ocorre após o fim da patente da semaglutida no Brasil, em 20 de março de 2026, e amplia a disputa por um mercado impulsionado pela crescente utilização dos agonistas de GLP-1. O princípio ativo ficou conhecido principalmente por medicamentos como Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk.
Apesar de algumas publicações classificarem o Ozivy como genérico, tecnicamente o medicamento não pertence a essa categoria. A Anvisa o define como uma versão sintética análoga a um produto originalmente biológico. O medicamento passou pelo processo regulatório de comprovação de eficácia, segurança e qualidade exigido pela agência.
O registro foi solicitado pela EMS em 2023. O Ozivy utiliza semaglutida obtida por síntese química, enquanto o produto que serviu como referência é produzido a partir de um insumo farmacêutico ativo de origem biológica.
A autorização representa um passo relevante para a indústria nacional porque abre espaço para uma nova tecnologia de produção da molécula no País e aumenta o número de fabricantes em condições de disputar um segmento até recentemente concentrado.
O Ozivy foi aprovado para o tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlado, associado à dieta e à prática de exercícios. A indicação inclui tanto a utilização isolada em determinadas situações quanto a combinação com outros medicamentos contra o diabetes.
A solução será administrada semanalmente por meio de caneta injetável preenchida. Entre as apresentações autorizadas estão dispositivos de 1,5 mL e embalagens com duas canetas de 3 mL, acompanhadas das respectivas agulhas.
Concorrência deve aumentar
O Ozivy faz parte de um movimento mais amplo de entrada de novas semaglutidas no mercado brasileiro. Em julho, a Anvisa anunciou o registro de outras cinco canetas injetáveis produzidas com versões sintéticas do princípio ativo.
A ampliação da oferta ocorre poucos meses depois do encerramento da patente e tende a modificar a estrutura competitiva de um mercado que cresceu rapidamente com a popularização dos medicamentos da classe GLP-1.
O impacto sobre os preços, entretanto, dependerá das estratégias comerciais dos fabricantes e da disponibilidade efetiva dos produtos nas farmácias. No caso do Ozivy, ainda não há definição pública sobre preço e cronograma de chegada ao varejo.
Venda continua sob controle
A entrada de novos fabricantes não altera as exigências para aquisição desses medicamentos. Desde junho de 2025, agonistas de GLP-1, incluindo produtos à base de semaglutida, estão sujeitos à retenção da receita médica nas farmácias.
A medida foi adotada pela Anvisa diante da expansão do consumo e da preocupação com o uso sem acompanhamento profissional. A agência também intensificou em 2026 a fiscalização sobre importação, manipulação e comercialização irregular das chamadas canetas emagrecedoras.
Com novas versões autorizadas e maior concorrência após o fim da patente, o mercado brasileiro de semaglutida começa, assim, uma etapa diferente: a disputa deixa de estar concentrada apenas nos medicamentos pioneiros e passa a envolver fabricantes nacionais e novas tecnologias de produção.
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