Comércio Exterior
Tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros começa a valer e governo mantém negociação como prioridade
Por Redação - Em 22/07/2026 às 11:26 AM

A abrangência da medida foi reduzida por uma lista de 2.126 produtos que ficaram isentos da nova cobrança
A tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras entrou em vigor nesta quarta-feira (22), inaugurando uma nova etapa nas relações comerciais entre os dois países. Enquanto o setor produtivo calcula os impactos da medida, o governo federal mantém a estratégia de diálogo e ainda não definiu quais instrumentos poderá utilizar em resposta.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a sobretaxa alcança aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano, o equivalente a US$ 7,4 bilhões com base nos embarques registrados em 2024. Considerando a pauta exportadora de 2025, a participação dos produtos afetados recua para 15%, somando US$ 5,8 bilhões.
A abrangência da medida foi reduzida por uma lista de 2.126 produtos que ficaram isentos da nova cobrança. De acordo com o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), a exclusão contempla itens considerados relevantes para a cadeia produtiva americana, evitando riscos de desabastecimento e impactos econômicos internos. Entre os produtos preservados estão café, suco de laranja e carne bovina.
O governo brasileiro contesta a decisão dos Estados Unidos sob o argumento de que o comércio bilateral é superavitário para os norte-americanos. Ainda assim, a sinalização das autoridades brasileiras é de que a resposta deverá priorizar a negociação antes da adoção de medidas previstas na Lei da Reciprocidade Econômica.
Após reuniões com representantes da indústria e do agronegócio, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a legislação oferece instrumentos para eventual reação, mas destacou que a intenção não é ampliar a disputa comercial. Na mesma linha, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, informou que não há prazo definido para o anúncio de medidas, enquanto o governo reúne informações sobre os efeitos da tarifa e dialoga com os setores mais afetados.
Além da cobrança que começou a vigorar nesta quarta-feira, a expectativa do mercado é de que os Estados Unidos anunciem até sexta-feira (24) uma nova tarifa de 12,5% relacionada à investigação sobre importações de produtos associados ao trabalho análogo à escravidão. Conduzida pelo USTR, a apuração envolve 59 países e também a União Europeia, o que indica que a medida poderá ter alcance mais amplo e não será direcionada exclusivamente ao Brasil.
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