RELAÇÕES COMERCIAIS

Tarifaço pode ganhar novo capítulo se Brasil reagir, afirmam EUA

Por Redação - Em 16/07/2026 às 12:01 AM

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Para exportadores e investidores, o foco permanece na implementação prática das novas tarifas e em seus possíveis desdobramentos

A tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos ganhou um novo capítulo nessa quarta-feira (15). Após confirmar a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros, o governo norte-americano afirmou que poderá revisar suas medidas caso Brasília opte por adotar retaliações comerciais.

O posicionamento foi apresentado por Jamieson Greer, representante do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Segundo o dirigente, Washington continua aberto ao diálogo, mas uma eventual resposta do Brasil poderá levar o governo americano a reavaliar sua estratégia comercial. “Não é do interesse de ninguém que ocorram retaliações”, afirmou Greer.

A declaração ocorreu no mesmo dia em que os Estados Unidos oficializaram as tarifas com base na Seção 301 da Lei de Comércio, mecanismo que autoriza o USTR a aplicar sanções quando identifica práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano. A investigação apontou críticas ao Brasil em áreas como comércio digital, sistema de pagamentos eletrônicos, incluindo o Pix, acesso ao mercado de etanol, proteção da propriedade intelectual, regimes tarifários preferenciais e combate ao desmatamento ilegal. As conclusões constam da determinação publicada pelo próprio USTR.

Do lado brasileiro, o governo avalia utilizar a Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional, como instrumento para responder às medidas adotadas por Washington. Segundo informações da CNN Brasil, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) poderá ser acionada para analisar a abertura de um processo que permita eventual adoção de contramedidas, embora integrantes do governo defendam que a prioridade continua sendo a negociação diplomática.

Apesar do endurecimento do discurso, autoridades dos dois países mantiveram o canal de diálogo aberto durante as últimas reuniões técnicas. O governo brasileiro sustenta que as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos não encontram respaldo técnico e argumenta que temas comerciais deveriam ser tratados no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), e não por medidas unilaterais.

Para exportadores e investidores, o foco permanece na implementação prática das novas tarifas e em seus possíveis desdobramentos. Uma escalada da disputa comercial poderá ampliar a insegurança para empresas que atuam no fluxo bilateral entre Brasil e Estados Unidos, enquanto a manutenção das negociações pode abrir espaço para ajustes e novas exceções à lista de produtos atingidos.

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