COMÉRCIO EXTERIOR
União Europeia acelera vigência do acordo com o Mercosul após aval de Argentina e Uruguai
Por Redação - Em 27/02/2026 às 10:23 AM

A aplicação provisória permitirá a entrada em vigor gradual de medidas como a eliminação de tarifas sobre exportações de bens industriais e agrícolas entre as partes
União Europeia (UE) anunciou nesta sexta-feira que iniciará a aplicação provisória do acordo de livre comércio com o Mercosul depois que Argentina e Uruguai completaram o processo de ratificação do tratado em seus parlamentos. A decisão foi confirmada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e marca um passo adiante na implementação de um dos principais acordos comerciais concluídos recentemente entre os dois blocos.
O acordo, assinado em 17 de janeiro de 2026 após mais de 25 anos de negociações, prevê a redução gradual de tarifas sobre a maior parte do comércio entre os países da UE e os membros do Mercosul — que incluem Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai — criando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo.
No Uruguai, a ratificação foi aprovada com placar expressivo no legislativo, enquanto na Argentina o Senado endossou o pacto com 69 votos a favor e 3 contra, depois da aprovação anterior na Câmara dos Deputados.
Com as ratificações de Buenos Aires e Montevidéu, a Comissão Europeia recebeu autorização do Conselho da UE para começar a aplicar o tratado de forma provisória, mesmo antes do aval formal do Parlamento Europeu, que ainda não finalizou sua própria aprovação e chegou a solicitar à Corte de Justiça da União Europeia uma análise legal do acordo.
A aplicação provisória permitirá a entrada em vigor gradual de medidas como a eliminação de tarifas sobre exportações de bens industriais e agrícolas entre as partes, reduzindo barreiras comerciais antes da ratificação completa. Analistas europeus projetam que o pacto poderá criar uma área de comércio que engloba mais de 700 milhões de consumidores e representa cerca de um quarto do produto interno bruto (PIB) global.
Apesar do avanço, a decisão não é unânime. Países como França e outros membros do Parlamento Europeu manifestaram forte oposição, argumentando que a implementação antecipada pode prejudicar setores sensíveis, especialmente a agricultura europeia, diante da concorrência de produtos sul-americanos.
No âmbito do Mercosul, Brasil e Paraguai ainda precisam concluir seus processos internos de ratificação para que o acordo seja integralmente implementado. Enquanto isso, a aplicação provisória serve como instrumento para acelerar os benefícios comerciais projetados pelos dois blocos, em meio a um cenário global de desafios às cadeias de comércio e pressões geopolíticas.
Essa movimentação reforça o compromisso de ambos os lados em estreitar laços econômicos, mesmo com controvérsias e etapas ainda pendentes antes da vigência plena do tratado.
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