NORTE E NORDESTE

Zunne encerra sua primeira captação com R$ 3,2 milhões para negócios de impacto

Por Marcelo - Em 20/12/2023 às 10:26 AM

O Zunne, programa de investimentos em impacto positivo, levantou R$ 3,2 milhões em sua primeira rodada de captação, encerrada no último mês de novembro, para financiar 13 negócios sociais. Ele foi criado para apoiar e impulsionar negócios cujos produtos ou serviços resolvem problemas sociais e ambientais no Norte e Nordeste do Brasil, ou nos biomas da Amazônia e Caatinga, com prioridade para negócios liderados por mulheres e/ou pessoas pretas e indígenas.

A proposta do programa de fomentar uma nova rota de investimentos que não gire apenas em torno do Sudeste e democratize não só o acesso aos recursos – no caso dos negócios investidos -, mas proporcione a oportunidade de mais pessoas tornarem-se empreendedoras, considerando valores acessíveis para iniciar o investimento, atraiu olhares e recursos de 167 investidores. Destes, 92 investiram até R$ 3 mil no programa através da plataforma de empréstimo coletivo Trê-Mova.

Francisco Vicente, Ticiana Rolim e Marcos Pedote está à frente do Programa Zunne no Norte e Nordeste

O Zunne utiliza uma abordagem inovadora chamada de Blended Finance (finanças híbridas), quando une-se capital filantrópico e investimento privado. Desta forma, o Zunne contou com R$ 1,5 milhão de capital catalítico (doações) que possibilitaram sustentar a estrutura do programa oferecendo apoio técnico/mentoria aos negócios e a criação de um fundo garantidor de inadimplência próprio do programa.

Recursos

Nesta primeira rodada de investimento, o Zunne mobilizou R$ 4,7 milhões de capital entre doações de apoio à estrutura do programa e financiamento dos negócios sociais investidos. Para isso, o programa utilizou uma plataforma de empréstimo coletivo – a Trê Mova – que permite a vários investidores alocarem recursos diretamente nos negócios que mais se identificarem. Os segmentos e causas dos negócios são muito variados: moda consciente, turismo sustentável, reformas habitacionais, educação, alimentação orgânica, entre outros.

“Fechar a primeira rodada de investimento do Zunne para negócios de impacto no Norte e Nordeste é um marco. Estamos mostrando a potência dessas regiões e que, com oportunidade, podemos transformar os desafios sociais em negócios que transformam vidas”, afirma Ticiana Rolim, presidente da Somos Um e uma das idealizadoras do programa.

“Demos o primeiro passo do Programa Zunne, engajando 167 investidores com causa que emprestaram, em condições acessíveis, R$ 3,2 milhões para 13 negócios de impacto socioambiental. São 167 pessoas vivendo sua primeira experiência de cidadão investidor – buscando retorno financeiro no seu investimento ao mesmo tempo que gera impacto positivo visando o bem comum”, explica Marcos Pedote, co-fundador e diretor-executivo da Trê Investindo com Causa.

O programa nasceu a partir da percepção que a Somos Um, a Yunus Negócios Sociais e a Trê Investindo com Causa, organizações de impacto socioambiental positivo, que enxergaram o Norte e o Nordeste como grandes polos empreendedores, apesar de serem as regiões mais pobres do País, e da falta de instrumentos para viabilizar que o dinheiro dos investidores chegue até essas regiões.

“Tínhamos um sonho antigo de dar esse primeiro passo consistente de investimento em negócios de impacto nas regiões Norte e Nordeste. E nada melhor do que sonhar junto com parceiros como a Trê e a Somos Um, unir forças e complementaridades, em prol da geração do impacto socioambiental positivo nos territórios. Para nós, mobilizar capital para soluções desses empreendedores do Zunne, em sua maioria mulheres, é a realização desse grande sonho idealizado e realizado em conjunto“, comemora Francisco Vicente, diretor de Investimento da Yunus no Brasil.

“O Zunne é um instrumento criado pelas nossas três organizações para viabilizar que o dinheiro chegue no Norte e Nordeste. Justamente para democratizar o acesso aos recursos de investimento, trazer oportunidades para as empreendedoras nortistas e nordestinas. Vamos apoiá-las com mentorias e investimento para que possam prosperar tanto quanto outras regiões e para aquelas que historicamente têm mais dificuldades, possam garantir acesso aos recursos”, explica Ticiana Rolim.

Giardino Buffet á um dos negócios que receberam recursos da Trê-Mova

Os dados do Programa Zunne em relação à liderança dos negócios reforçam o apoio à diversidade. Entre os selecionados, 77% têm mulheres na liderança e o mesmo indicador (77%) se refere à quantidade de negócios que são da região Nordeste, seguido por 15% do Norte e 8% do Sudeste. Os 13 negócios escolhidos pelo Zunne que já receberam recursos por meio da Plataforma Trê-Mova de empréstimo coletivo são: Catarina Mina (moda consciente); Giardinno Buffet (trabalho digno); Muda Meu Mundo (Marketplace B2B); Oikos (moradia digna) e Sucré (Empregabilidade feminina) – todos do Ceará. Na’kau (trabalho digno) e Poranduba Amazônia (Turismo sustentável) ambos do Amazonas. Roma Negra (espaço cultural) e SDW (sanemento básico) os dois da Bahia. Além de Refazenda (moda consciente – Pernambuco); Um grau e meio (conservação ambiental – São Paulo) e Yantec (educação e tecnologia – Alagoas).

Além do apoio financeiro, o Zunne oferece capacitação com especialistas nas áreas jurídica, financeira, de marketing digital e vendas, gestão de negócios e outras. Auxílio e orientação na obtenção de acesso a capital em diferentes formatos, conexões com redes de potenciais clientes e parceiros, além de coleta de dados financeiros e de impacto para mensuração do impacto alcançado.

Os empréstimos ocorrem de forma coletiva e variam entre R$ 100 mil a R$ 500 mil e as taxas de juros sociais girarão em 14,8% ao ano, ou seja, 1,2% ao mês. Os pagamentos poderão ser realizados em até quatro anos, com seis meses de carência. Com a nova capitalização e a incorporação também de novos aliados estratégicos, a Somos Um, a Yunus Negócios Sociais e a Trê Investindo com Causa já estudam aumentar o tamanho da operação, por meio de maior presença entre negócios liderados por mulheres negras e indígenas, e de mais estados no Norte e Nordeste.

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