Tradição em festa

Alentejo abre temporada de festivais que unem devoção e convivência em Portugal

Por Paulla Pinheiro - Em 19/08/2025 às 1:01 AM

Viana Do Alentejo, A Maior Romaria A Cavalo Do Alentejo Crédito Turismo Do Alentejo

Viana do Alentejo, a maior romaria a cavalo da região alentejana – Crédito Turismo do Alentejo

De setembro a novembro, o Alentejo se transforma em uma grande cena festiva, onde fé, cultura e convivência comunitária andam de mãos dadas. De aldeias escondidas entre campos a vilas marcadas pela história, a região mais extensa de Portugal vive meses de celebrações populares que revelam o espírito acolhedor de seus moradores.

Chamadas de festas populares ou romarias, essas celebrações unem devoção religiosa, música, pratos típicos e ritos ancestrais que atravessam gerações. Em cada localidade, a tradição ganha forma própria, mas a essência é a mesma: reunir famílias, vizinhos e visitantes em torno de santos padroeiros, colheitas e histórias que fazem parte da memória coletiva do Alentejo.

Em Alegrete, a aldeia de Besteiros de Cima recebe, em setembro, a Festa de Nossa Senhora da Lapa, com procissões, música e encontros que movimentam a comunidade. Já Elvas se prepara para receber milhares de devotos e curiosos na celebração do Senhor Jesus da Piedade, de 20 a 27 do mesmo mês, evento que coincide com a secular Feira de São Mateus, considerada uma das mais emblemáticas do país.

A cada final de semana, novos cenários se abrem. Em Azaruja, a devoção à Nossa Senhora do Monte do Carmo toma as ruas. Em Viana do Alentejo, é a romaria a cavalo em honra a Nossa Senhora d’Aires que rouba a cena, reunindo cavaleiros e fiéis em um percurso de fé e tradição. Já São Marcos de Ataboeira, na freguesia de Castro Verde, dedica sua festa à Nossa Senhora de Aracelis, enquanto Ourique e Santa da Serra celebram, nos dias 7 e 8 de setembro, a tradicional festa de Nossa Senhora da Cola.

Os festivais do Alentejo são encontros intergeracionais. Crianças, jovens e idosos se reúnem em torno de procissões, danças e mesas fartas. Pratos típicos e aromas da cozinha alentejana se misturam ao som da música tradicional, criando um ambiente em que a história se atualiza a cada edição.

Participar dessas festas é, portanto, mergulhar em uma herança que não está apenas nos livros ou museus, mas no cotidiano vivido de uma comunidade. É ver a fé se manifestar nas ruas, sentir a hospitalidade no gesto simples de quem recebe e descobrir que, no Alentejo, tradição e modernidade caminham lado a lado.

Mais notícias

Ver tudo de Notas