Despedida da estrada

Gilberto Gil encerra turnê Tempo Rei com show histórico e família no palco

Por Jussara Beserra - Em 29/03/2026 às 5:24 PM

Gilberto Gil encerra a Tempo Rei em São Paulo com celebração e memória - Fotos:  Lucas Ramos / Brazil News

Gilberto Gil encerra a Tempo Rei em São Paulo com celebração e memória – Fotos: Lucas Ramos / Brazil News

Na noite deste sábado (28), diante de cerca de 50 mil pessoas no Allianz Parque, em São Paulo, Gilberto Gil apresentou o último show da turnê Tempo Rei, anunciada como sua despedida das grandes apresentações em estrada. O clima foi de celebração, não de adeus. Aos 83 anos, o artista conduziu o encerramento com serenidade e cercado por diferentes gerações da própria família musical.

Com aproximadamente três horas de apresentação e 15 instrumentistas no palco, o repertório percorreu canções que atravessam décadas. Vestindo camisa branca, calça vermelha e sandálias, Gil alternou clássicos e momentos de conversa com o público, em uma apresentação marcada por leveza e consistência artística.

Família no palco

Flor Gil, Gilberto Gil E Bento

Gilberto Gil divide o palco com a nova geração da família durante a despedida da estrada

Filhos e netos músicos acompanharam Gilberto Gil no palco, entre eles Bem Gil, José Gil e Nara Gil, além de integrantes da nova geração da família que hoje sustentam a base musical da apresentação. A presença de diferentes gerações evidenciou a continuidade geracional dentro da própria obra do artista e consolidou a leitura de legado em movimento.

Um dos momentos emblemáticos veio com “A Paz”, interpretada ao lado dos netos do artista. A cena sintetizou a transmissão de uma trajetória que permanece ativa e compartilhada.

Durante a apresentação, Gil dedicou palavras à filha Preta Gil, falecida há menos de um ano e homenageada ao longo da turnê. A lembrança emocionou o público e acrescentou dimensão afetiva à noite, preservando o clima de celebração da carreira.

Outro instante simbólico ocorreu com a participação de Chico Buarque no telão, relembrando a história de “Cálice”, canção associada à censura durante a ditadura militar. A referência conectou o espetáculo ao papel de Gil na formação da música brasileira contemporânea.

Protagonista do movimento tropicalista ao lado de Caetano Veloso, o artista ajudou a redefinir a produção musical nos anos 1960 ao aproximar samba, bossa nova, rock e pop. Essa dimensão atravessou o encerramento, consolidando a apresentação como síntese de trajetória.

Rock in Rio no horizonte

Mesmo deixando a rotina de estrada, Gil ainda tem uma participação confirmada no Rock in Rio, em setembro. A apresentação funciona como último grande encontro em festival antes da nova fase.

Depois disso, o artista pretende manter aparições pontuais e shows menores. A decisão indica uma transição natural, preservando presença seletiva nos palcos.

A noite em São Paulo confirmou essa passagem. O encerramento da Tempo Rei estabelece uma mudança de ritmo e reforça um legado que permanece ativo na música brasileira.

Confira fotos!

Mais notícias

Ver tudo de Notas