Tributo artístico

Homenagem à poeta: artista Mano Alencar relembra texto de Fernanda Benevides sobre obra exposta em Miami

Por Jussara Beserra - Em 08/03/2026 às 6:18 PM

Obra de Mano Alencar inspirou reflexão sensível da poetisa Fernanda Benevides. Créditos: Divulgação

Obra de Mano Alencar inspirou reflexão sensível da poeta Fernanda Benevides. Créditos: Arquivo Pessoal de Mano Alencar

A poeta Fernanda Benevides, que fez sua passagem para a morada eterna nesta sexta-feira (6), foi lembrada pelo artista plástico cearense Mano Alencar, que compartilhou um texto escrito por ela sobre uma de suas obras expostas na Gallery Macaya, em Miami (EUA).

A reflexão, produzida especialmente para a tela do artista, propõe um olhar sensível sobre os contrastes entre os avanços tecnológicos da humanidade e as desigualdades sociais ainda presentes em diferentes regiões do mundo. Em suas palavras, Fernanda relembra a famosa frase dita após a chegada do homem à Lua, quando se afirmou que “a Terra é azul”, conectando esse marco histórico à chamada Era da Cibernética, marcada pela expansão da tecnologia e da informática.

Ao analisar a obra de Mano Alencar, a poetisa destaca o retrato simbólico do semiárido nordestino, onde mulheres enfrentam a escassez de água e caminham sob a paisagem marcada pela caatinga, pelos mandacarus e pelas carnaúbas. Para ela, a pintura revela um contraste contundente entre modernidade e abandono social, evidenciando a força expressiva do artista cearense.

A seguir, confira o texto de Fernanda Benevides na íntegra:

“Já vai longe o tempo em que o primeiro astronauta pisou o solo lunar, afirmando que a Terra é azul. Daí pra cá, sucedem sofisticados avanços tecnológicos e científicos, levando-nos a vivenciar, nos dias de hoje, a Era da Cibernética, quando modernos computadores substituem o trabalho braçal, tornando os seres humanos isolados, automatizados e inúteis, enquanto no âmbito militar criam poderosos artefatos da morte, capazes de destruir o mundo em segundos…

Por outro lado, a despeito da vertiginosa velocidade da Era da Informática, projetada nessa tela expressionista abstrata do genial artista plástico cearense Mano Alencar, observa-se a gritante realidade por que passa grande parte da humanidade, caminhando lado a lado com o progresso, a exemplo dessa desditosa mulher que, em pleno desenrolar da era pós-moderna, transporta lata d’água na cabeça para suprir suas necessidades básicas (por falta de recursos) no semiárido nordestino, enquanto outra, em desespero, eleva os braços aos céus, clamando por chuvas…

O artista registra com propriedade a caatinga devastada, em cujo solo agreste só brotam mandacarus e carnaúbas, sob o olhar fatídico do gato preto a sinalizar maus tempos.”

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