Arte e tecnologia
Louis Vuitton transforma Veneza em templo imersivo para a obra visionária de Lu Yang
Por Jussara Beserra - Em 10/05/2026 às 5:04 AM

Lu Yang transforma o Espace Louis Vuitton Venezia em uma experiência visual que une IA, espiritualidade e cultura digital – Fotos: Divulgação
Em paralelo à 61ª edição da Bienal de Veneza, a Fundação Louis Vuitton apresenta no Espace Louis Vuitton Venezia a exposição DOKU The Illusion, nova instalação do artista chinês Lu Yang que cruza inteligência artificial, filosofia budista e universos digitais em uma experiência sensorial de forte impacto visual.
A mostra integra o programa Hors-les-murs, iniciativa internacional da Fondation Louis Vuitton que ocupa seus espaços culturais em cidades como Tóquio, Pequim, Seul e Veneza. Em sua nova criação, Lu Yang amplia uma investigação artística que vem consolidando seu nome no circuito global: a dissolução das fronteiras entre corpo físico, avatar e consciência digital.

Corpo, avatar e espiritualidade digital se encontram no universo visual de Lu Yang
No centro da instalação está DOKU The Illusion, quarto capítulo da série iniciada em 2019 e construída a partir de um avatar criado com a digitalização do próprio rosto do artista. O personagem percorre cenários instáveis e quase oníricos, atravessando metrôs, cassinos, museus e parques de diversão em uma narrativa marcada por ciclos de morte, renascimento e mutação.
Com mais de duas horas de duração, o filme combina imagens geradas por inteligência artificial, live-action e uma trilha sonora que mistura hip-hop, piano e música tradicional japonesa. O resultado é uma atmosfera hipnótica que aproxima videogame, cinema experimental e ritual espiritual.

O Espace Louis Vuitton Venezia ganha atmosfera imersiva com a instalação “DOKU The Illusion”
A instalação ocupa o Espace Louis Vuitton Venezia como um santuário cibernético. Uma monumental tela de LED posicionada sobre um altar conduz a experiência imersiva, enquanto esculturas de Buda e superfícies espelhadas incorporam o visitante à narrativa visual. O espaço transforma contemplação em participação direta, dissolvendo limites entre observador e obra.
Embora mangás, animes e videogames apareçam como linguagem estética recorrente, a obra de Lu Yang se distancia do entretenimento. Seu interesse está em discutir o que significa existir em uma era mediada por algoritmos, inteligência artificial e identidades fragmentadas.
Ao ocupar Veneza durante a Biennale, a Fondation Louis Vuitton reforça o movimento de aproximação entre grandes maisons de luxo e a produção artística contemporânea voltada à tecnologia, consolidando a arte imersiva como um dos territórios culturais mais observados da atualidade.
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