Carnaval 2026

Memória, arte e política guiam os enredos do Grupo Especial das Escolas de Samba do Rio

Por Julia Fernandes Fraga - Em 06/01/2026 às 2:53 PM

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Marquês de Sapucaí é a ‘passarela do samba’ no Rio de Janeiro. Foto: Tania Rego/Agência Brasil

O Carnaval do Rio de Janeiro em 2026 levará para a Marquês de Sapucaí um conjunto de enredos centrado na valorização da memória, da cultura e da diversidade brasileira. Das 12 escolas do Grupo Especial, oito apostam em narrativas biográficas para contar trajetórias de artistas, intelectuais e lideranças políticas que ajudaram a transformar padrões estéticos, ampliar representações e enfrentar preconceitos ao longo da história.

Homenageados

Na passarela dos homenageados estarão o compositor e pintor Heitor dos Prazeres (Vila Isabel), o cantor Ney Matogrosso (Imperatriz Leopoldinense), a cantora e compositora Rita Lee (Mocidade Independente de Padre Miguel), a escritora Carolina Maria de Jesus (Unidos da Tijuca) e o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (Acadêmicos de Niterói).

Também integram a lista de personagens centrais do carnaval de 2026 nomes históricos do próprio universo do samba, como a carnavalesca Rosa Magalhães (Acadêmicos do Salgueiro) e o mestre de bateria Moacyr da Silva Pinto, o Mestre Ciça (Acadêmicos do Viradouro).

A valorização da cultura negra aparece ainda nos enredos que contam a história do curandeiro amapaense Raimundo dos Santos Souza, o Mestre Sacaca (Estação Primeira de Mangueira), e do líder religioso Custódio Joaquim de Almeida, o Príncipe Custódio do Bará (Portela).

O panteão de figuras negras reforça um conjunto de desfiles voltado ao resgate da história e da cultura de origem africana, como propõe o enredo Lonã Ifá Lukumi (Paraíso do Tuiuti), sobre a religião afro-cubana Santeria, e Bembé do Mercado (Beija-Flor de Nilópolis), que aborda uma manifestação religiosa do Recôncavo Baiano.

A Acadêmicos do Grande Rio fecha a lista prestando homenagem ao movimento musical de contracultura Manguebeat, surgido na década de 1990, em Recife (PE), ampliando o espectro temático do Grupo Especial e reforçando a pluralidade cultural que marca o carnaval carioca.

Desfile Grupo Especial RJ

1º dia – domingo (15/2)
Acadêmicos de Niterói – Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil
Imperatriz Leopoldinense – Camaleônico
Portela – O Mistério do Príncipe do Bará
Estação Primeira de Mangueira – Mestre Sacacá do Encanto Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra

2º dia – segunda-feira (16/2)
Mocidade Independente de Padre Miguel – Rita Lee, a Padroeira da Liberdade
Beija-Flor de Nilópolis – Bembé do Mercado
Acadêmicos do Viradouro – Pra Cima, Ciça
Unidos da Tijuca – Carolina Maria de Jesus

3º dia – terça-feira (17/2)
Paraíso do Tuiuti – Lonã Ifá Lukumi
Unidos de Vila Isabel – Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África
Acadêmicos do Grande Rio – A Nação do Mangue
Acadêmicos do Salgueiro – A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau

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