Símbolo Francês

Museu do Louvre vive período crítico que expõe fragilidades institucionais

Por Julia Fernandes Fraga - Em 13/02/2026 às 3:32 PM

Louvre Olivier Ouadah

Desde o fim de 2025, instituição já passou por roubo histórico, fraude milionária e vazamentos em alas nobres. Foto: Divulgação

O Museu do Louvre atravessa um período de fortes desafios operacionais e de reputação desde o final de 2025, com uma série de incidentes que chamam atenção internacional e pressionam a gestão da maior instituição cultural do mundo.

Tendo iniciado em outubro de 2025, quando uma quadrilha entrou pela galeria Galerie d’Apollon durante o horário de visitação e roubou oito peças das Joias da Coroa Francesa, avaliadas em cerca de €88 milhões (aproximadamente US$100 milhões), as ocorrências mais recentes foram divulgados nesta sexta-feira (13), envolvendo infiltrações e desvios de recursos financeiros.  

Ameaça à conservação das obras

Na noite de quinta-feira (12) para sexta, um vazamento de água na ala Denon, onde estão expostas algumas das obras mais valiosas do local, forçou o fechamento temporário da galeria Room 707.

A água atingiu parte do teto pintado pela obra de Charles Meynier, do início do século XIX, exigindo contenção emergencial pelos bombeiros e medidas de preservação. Esse é o segundo episódio de infiltração em menos de três meses, após um vazamento em novembro de 2025 que danificou centenas de obras e documentos em outra seção do museu.

Esquema de fraude na bilheteria

Também na quinta-feira (12), a polícia francesa deteve nove pessoas — entre elas dois funcionários do Louvre e vários guias turísticos — no âmbito de uma investigação sobre um esquema de fraude em ingressos – também no Palácio de Versalhes – que pode ter causado, segundo o Ministério Público francês, até €10 milhões em prejuízo à instituição.

As autoridades suspeitam que grupos de turistas, especialmente chineses, teriam acessado repetidamente o museu com os mesmos ingressos, com participação de insiders e possível pagamento de subornos.

O caso, que remonta a práticas suspeitas de reutilização de bilhetes por até uma década, resultou em apreensões e movimentações financeiras investigadas como possível lavagem de dinheiro — incluindo supostos investimentos em propriedades na França e em Dubai.

Crises sucessivas

A sequência de eventos — roubo, fraude, greves de funcionários por condições de trabalho e agora problemas de infraestrutura — coloca sob escrutínio a administração do Museu do Louvre e levanta questões sobre manutenção, segurança interna e gestão de uma das coleções mais valiosas do patrimônio cultural mundial.

Especialistas em museologia e turismo cultural destacam que, embora cada incidente tenha causas específicas, o acúmulo de contratempos em um curto intervalo pode afetar a confiança de visitantes e investidores, além de desafiar a capacidade de resposta de um dos símbolos maiores da arte e da história universal.

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