LEGADO BRASILEIRO

Obra de Hélio Oiticica chega à paisagem inglesa com primeira instalação ao ar livre na Europa

Por Jussara Beserra - Em 11/08/2026 às 5:26 PM

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Cores e luz definem os percursos de Magic Square #3 – Fotos: Divulgação

A Goodwood Art Foundation, no Reino Unido, passou a exibir Magic Square #3, obra concebida por Hélio Oiticica em 1978 e nunca realizada durante a vida do artista. Apresentada em West Sussex, a estrutura marca a primeira vez que um trabalho de Oiticica é exibido ao ar livre na Europa.

Com paredes coloridas dispostas em formato de labirinto, o projeto integra uma série de seis Magic Squares desenvolvidos pelo brasileiro no fim dos anos 1970. A proposta permite que o público percorra seu interior, seguindo uma pesquisa de Oiticica centrada em cor, espaço e participação.

O artista, morto em 1980, deixou plantas, maquetes e instruções que possibilitaram a execução posterior. A primeira construção ocorreu somente em 2022, no Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília, onde permaneceu em exibição até 2024.

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Obra de Hélio Oiticica cria labirinto cromático ao ar livre

Agora, a estrutura ocupa uma área próxima à mata da Goodwood Art Foundation, com vista para a costa de Sussex. Sua chegada ao espaço britânico ocorre por meio de um empréstimo de longo prazo da Lisson Gallery, responsável pela representação do espólio do artista.

O trabalho integra a programação de verão de 2026 da fundação, prevista até 1º de novembro. Como o empréstimo é de longa duração, a data corresponde ao período de visitação atualmente divulgado pela instituição e não necessariamente à permanência da peça no local.

Aberta ao público em 2025, a Goodwood Art Foundation ocupa aproximadamente 70 acres em West Sussex e reúne exposições em galerias e trabalhos apresentados em meio à paisagem. O espaço integra a propriedade de Goodwood, conhecida também por eventos britânicos ligados ao automobilismo e ao hipismo.

A estreia ao ar livre na Europa acrescenta um novo marco à trajetória internacional de Hélio Oiticica, um dos principais nomes da arte brasileira do século XX. Integrante do Grupo Frente e ligado ao Neoconcretismo, o artista desenvolveu uma produção que rompeu com os formatos tradicionais de exposição e aproximou público e espaço.

Atualmente, trabalhos de Oiticica estão presentes em acervos de instituições como MoMA, Tate, Whitney Museum, Museo Reina Sofía, LACMA e Inhotim. A presença em West Sussex evidencia a circulação internacional de uma produção que, quase cinco décadas depois de concebida, segue ocupando instituições de referência fora do Brasil.

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