Bienal da Água

Obra de José Guedes inspirada em Fortaleza chega a Portugal ao lado de Yoko Ono e Marina Abramović

Por Jussara Beserra - Em 16/07/2026 às 3:51 PM

Reflexos transformam a paisagem urbana em uma nova experiência visual - Fotos: Arquivo Pessoal

Reflexos transformam a paisagem urbana em uma nova experiência visual – Fotos: Arquivo Pessoal

Fortaleza atravessa o Atlântico por meio da arte nesta sexta-feira (17). A cidade, refletida nas poças d’água que inspiram o vídeo “Chuva”, de José Guedes, chega à primeira edição da Bienal da Água, em Cascais, Portugal. Selecionada para o núcleo com curadoria do espanhol Nilo Casares, a obra integra o evento ao lado de alguns dos nomes mais influentes das artes visuais, como Yoko Ono, Marina Abramović, Anish Kapoor, William Kentridge, Monica Bonvicini, Peter Halley, Roni Horn, Sean Scully, Thomas Ruff e Joana Vasconcelos.

A participação marca mais um reconhecimento internacional da trajetória do artista cearense. Nas últimas semanas, Guedes foi o único brasileiro selecionado para a exposição “AESTHETIC – Sobre a Autoexpressão e a Beleza na Era do Silício”, em Lima, no Peru. No Ceará, também abriu, na Casa D’Alva, em Fortaleza, a mostra “Natureza a Fio”, da qual assina a curadoria, reunindo obras de Cecília Bichucher, Lúcia Galvão e Vera Sampaio Dessart.

Arte e território

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Fortaleza surge reinventada na superfície das poças d’água

Realizada em museus, centros culturais e universidades de Cascais e Estoril, a Bienal da Água propõe reflexões sobre as relações entre arte, água, ciência e tecnologia, reunindo artistas, pesquisadores e instituições de diferentes países em torno de questões ligadas ao meio ambiente e às transformações da paisagem.

No núcleo curado por Nilo Casares, José Guedes apresenta um trabalho construído a partir das poças d’água formadas após as chuvas em Fortaleza. Em vez de registrar a cidade de forma literal, o vídeo utiliza os reflexos para criar uma paisagem em constante transformação, convidando o espectador a descobrir novas formas de perceber o espaço urbano.

Em conversa com o Portal IN, José Guedes explica que, embora a maior parte das imagens tenha sido produzida em Fortaleza, a obra também reúne registros realizados na Polônia e na Itália. “Para qualquer lugar que vamos, nosso universo nos segue. Isso acaba sendo o nosso diferencial”, afirma o artista.

Olhar internacional

José Guedes

Arquitetura e memória se encontram na poética do olhar de José Guedes

No texto curatorial, Nilo Casares aproxima a obra do conceito de Terceira Paisagem, desenvolvido pelo paisagista francês Gilles Clément, ao destacar a capacidade da natureza de resistir às transformações impostas pelo ambiente urbano. Segundo o curador, José Guedes utiliza a água para ressignificar Fortaleza, revelando, por meio dos reflexos, uma cidade que se distancia da representação convencional e abre espaço para novas interpretações.

Casares também observa que a pesquisa do artista dialoga com sua trajetória iniciada ainda na juventude, marcada pelo interesse em questionar as formas tradicionais de representação. Em vez de reproduzir a realidade, o trabalho propõe uma experiência visual construída pela força das imagens, transformando elementos cotidianos da capital cearense em uma narrativa de alcance universal.

Com mais de cinco décadas dedicadas às artes visuais, José Guedes reúne uma trajetória marcada pela produção artística, pela curadoria e pela circulação de obras em importantes espaços culturais. A agenda internacional do artista segue nos próximos meses com uma exposição em Nova York, resultado da parceria entre a Bienal Nômade e a Trienal de Arte Latino-Americana de Nova York, além de duas mostras no Peru como artista, outra como curador e uma exposição no Museu de Arte Contemporânea de Miami.

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