Oriente Médio
Reabertura do espaço aéreo nos Emirados Árabes permite saída de brasileiros
Por Suzete Nocrato - Em 09/03/2026 às 2:35 PM

Aeroporto de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, retoma voos para o Brasil. Foto: Giuseppe Cacace/AFP
No décimo dia da guerra no Oriente Médio, o Irã intensificou os ataques com mísseis e drones contra Israel e países do Golfo, ampliando a instabilidade na região. Nesta segunda-feira (9), novas ofensivas atingiram Catar, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, poucas horas após o anúncio de que Mojtaba Khamenei vai suceder o pai, o aiatolá Ali Khamenei, como líder supremo do Irã. O cenário reforça o clima de tensão em um dos polos estratégicos da economia global.
O conflito provocou reflexos na aviação internacional, com cancelamentos que deixaram milhares de passageiros retidos na região. Nesta segunda-feira, 9/3, porém, a operação começou a ser normalizada nos Emirados Árabes Unidos, segundo o embaixador do Brasil no país, Sidney Romeiro.
“Temos dois aviões saindo normalmente (do aeroporto de Dubai) para o Rio de Janeiro e para São Paulo. A vazão é de quase 800 pessoas por dia. (…) O Ministério da Defesa só autoriza a saída de um voo quando é 100% seguro. Eles criaram uma espécie de um corredor aéreo que sai dos Emirados até o Golfo de Aden (em Iêmen) que não tem muito risco”, afirmou o diplomata.
Nos Emirados Árabes Unidos, um dos principais centros financeiros e logísticos do mundo, os impactos já são significativos. De acordo com Romeiro, o território tem sido um dos principais alvos da retaliação iraniana. “Só ontem (em ataque) foram 16 mísseis e 113 drones. No total, tivemos aqui mais de 240 mísseis e quase 1.500 drones. A situação é bastante tensa”, disse.
A tensão também afeta diretamente a comunidade brasileira nos Emirados Árabes Unidos, estimada entre 10 mil e 15 mil pessoas. De acordo com o embaixador, quando a guerra começou, em 28 de fevereiro, grande parte das atividades passou a ser realizada em regime remoto, retomando gradualmente o funcionamento presencial a partir de quinta-feira (4/3). “Quando retomamos, é vida normal. Os alarmes mais impactantes são na madrugada, bastante traumáticos, os estrondos de interceptação dos drones. É algo que não se esquece ao longo da vida”, relatou.
Apesar da intensidade dos ataques, a capacidade de defesa local tem reduzido danos mais graves. Segundo Romeiro, a tecnologia militar do país apresenta alta eficiência na interceptação de projéteis. “O índice de interceptação dos mísseis é em torno de 95%, é bastante alto. E o que cai é desviado para o mar ou para o deserto. Então, os debris que caem têm sido poucos, mas atingem áreas públicas. Já temos quatro vítimas e cerca de 15 feridos”, completou. Ainda assim, a falta de abrigos adequados faz com que moradores procurem refúgio em locais improvisados, como escadas de edifícios.
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