STF decide
Prisão preventiva de Filipe Martins é determinada após apuração de uso de rede social
Por Julia Fernandes Fraga - Em 02/01/2026 às 12:08 PM

Ex-assessor de Bolsonaro está em prisão no Paraná. Foto: Reprodução/Facebook
A Polícia Federal (PF) prendeu preventivamente, nesta sexta-feira (2), Filipe Martins, ex-assessor de Assuntos Internacionais do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A operação ocorreu em Ponta Grossa (PR), onde Martins cumpria prisão domiciliar desde o último sábado (27).
A prisão foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, após apuração de possível descumprimento de medidas cautelares. Filipe Martins foi condenado a 21 anos de prisão por participação na trama golpista.
Entenda
Na última terça-feira (30), Moraes havia solicitado manifestação da defesa sobre indícios de que o réu teria violado a proibição de uso de redes sociais. Segundo a decisão, Martins teria acessado o LinkedIn, o que configuraria descumprimento das restrições impostas pela Corte.
“Filipe Garcia Martins Pereira descumpriu as medidas cautelares impostas quando fez uso de suas redes sociais, mesmo sabendo que estava proibido de usá-las. Essas circunstâncias por si sós evidenciam o desprezo do réu pelas medidas impostas e pelo próprio sistema jurídico, pois não respeita as normas e não cumpre as decisões judiciais”, afirmou o ministro.
De acordo com apuração da CNN Brasil, um usuário do LinkedIn enviou um e-mail ao gabinete do ministro informando que seu perfil havia sido visualizado por Filipe Martins. A mensagem questionava se o ex-assessor não estaria impedido de acessar redes sociais, já que essa era uma das medidas cautelares em vigor.
Entre as restrições impostas a Martins estavam o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de utilizar redes sociais próprias ou por terceiros, a vedação de contato com outros investigados e réus, a entrega de passaportes, a suspensão de registros de porte de arma de fogo e a limitação de visitas, exceto de advogados.
Defesa
Os advogados de Filipe Martins negam que ele tenha descumprido qualquer medida cautelar. Em vídeo, o advogado Jeffrey Chiquini afirmou que o ex-assessor “estava cumprindo de forma exemplar” as determinações judiciais.
“Nunca recebeu nenhuma advertência, nunca foi admoestado por ter descumprido qualquer ordem judicial”, relatou. Segundo a defesa, o acesso ao LinkedIn não teria sido feito por Martins, mas por integrantes de sua equipe jurídica. Em documento de quase dez páginas, no entanto, o ministro Alexandre de Moraes reiterou que houve violação das medidas impostas.
Após a conversão da prisão domiciliar em preventiva, Filipe Martins foi encaminhado para uma prisão pública em Ponta Grossa. Ele aguarda o julgamento dos recursos contra a condenação no processo da trama golpista, previsto para ocorrer após o recesso do Judiciário, em fevereiro.
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