PATRIMÔNIO CONTEMPORÂNEO

Moura Dubeux entrega antigos silos do Recife Antigo totalmente retrofitados

Por Marcelo Cabral - Em 12/01/2026 às 1:21 PM

Complexo residencial fica ao lado do Porto do Recife                                  Fotos: Walter Dias/Divulgação

No coração do Recife Antigo, ao lado do Porto do Recife e do polo de inovação do Porto Digital, um dos mais emblemáticos projetos de requalificação urbana da capital pernambucana chega a um marco decisivo. Os antigos silos do Moinho Recife, por décadas símbolos da atividade industrial portuária, foram convertidos em edifícios residenciais, inaugurando uma nova etapa de ocupação e vitalidade no bairro histórico da cidade.

Antigos silos foram retrofitados e se comunicam por passarela

A entrega oficial dos residenciais Silo 215 e Silo 240, realizada este mês, consolida um dos projetos mais relevantes da incorporadora Moura Dubeux, ao unir preservação patrimonial, inovação arquitetônica e uso contemporâneo. Desativadas desde 2009, as estruturas passam a integrar de forma ativa a dinâmica urbana, estimulando o fluxo de moradores, o comércio local, em um cotidiano mais seguro e vibrante.

A iniciativa amplia um movimento iniciado com a instalação de cafés, escritórios, lojas e áreas abertas ao público no complexo Moinho Recife Business & Life. Para o CEO da Moura Dubeux, Diego Villar, a conversão dos silos representa um novo olhar sobre o local. “Os silos têm uma força simbólica muito grande. Eles contam a história do Recife industrial, e transformá-los em moradias é dar um novo capítulo a essa trajetória. É uma obra que ressignifica o bairro e abre caminho para que mais pessoas voltem a viver no coração da cidade”, afirma.

Memória e arquitetura

Os dois edifícios somam 251 unidades residenciais – entre studios e apartamentos de um ou dois quartos – além de lojas no térreo. O projeto preserva a volumetria, as curvas e a geometria originais dos antigos depósitos de trigo, estabelecendo um diálogo sofisticado entre memória industrial e arquitetura contemporânea, com projeto assinado pelo arquiteto Bruno Ferraz. As áreas comuns incluem rooftops integrados por passarela, piscinas aquecidas, espaços de convivência e vistas amplas para o mar e o setor histórico da cidade.

Eduardo Moura e Bruno Ferraz em frente ao empreendimento entregue na semana passada em Recife              Fotos: Sol Pulquério/Divulgação

O retrofit dos silos também se destacou pelo elevado grau de complexidade técnica. Sem documentação estrutural original e lidando com edificações centenárias, a obra exigiu estudos avançados, mapeamento preciso por escaneamento em nuvem de pontos e soluções estruturais sob medida. Parte do Silo 240 precisou ser demolida e reconstruída, e antigas estruturas industriais foram reinterpretadas como elementos arquitetônicos de destaque.

Além do rigor técnico, o projeto incorporou princípios de sustentabilidade e economia circular, ao reaproveitar estruturas existentes, reduzir resíduos e reutilizar materiais na própria obra e em intervenções urbanas no entorno. O impacto social também foi significativo, com a inclusão de moradores da Comunidade do Pilar em programas de capacitação profissional, resultando em emprego direto na obra, conforme lembrou Eduardo Moura, diretor de Incorporações da Moura Dubeux em Pernambuco.

O ineditismo da iniciativa rendeu reconhecimento nacional. O Silo 215 recebeu o Prêmio Talento Engenharia Estrutural em 2025, na categoria ‘Sustentabilidade’, promovido pela Gerdau e pela ABECE, e o projeto também foi vencedor do Prêmio InovaInfra 2024, como referência em reabilitação de estruturas antigas para uso moderno.

Para Diego Villar, o alcance da obra vai além do Recife. “Quando mostramos que é possível unir patrimônio histórico, engenharia de ponta e sustentabilidade, criamos uma referência para outras cidades brasileiras. O bairro do Recife volta a ser um território de moradia, inovação e convivência”. E conclui: “Este é um legado que a empresa deixa para o Recife e, ao mesmo tempo, um convite para que outras iniciativas de retrofit e reuso urbano ganhem força nos próximos anos”.

Diego Villar, no rooftop, disse que a obra é um legado da Moura Dubeux para a capital pernambucana

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