Luto na Política
Raul Jungmann, ex-ministro de quatro pastas, morre aos 73 anos em Brasília
Por Marlyana Lima - Em 18/01/2026 às 10:50 PM

Ex-ministro Raul Jungmann, faleceu no domingo vítima de câncer – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O ex-ministro Raul Jungmann, figura destacada da vida pública brasileira por mais de quatro décadas, morreu neste domingo (18), em Brasília, aos 73 anos. A informação foi confirmada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), entidade da qual exercia o cargo de diretor-presidente desde 2022. Jungmann lutava contra um câncer no pâncreas, condição que o levou a sucessivas internações desde novembro de 2025.
Ao longo de sua trajetória, Jungmann construiu um repertório raro na política nacional. Ocupou o cargo de ministro em quatro ocasiões: no governo Fernando Henrique Cardoso, esteve à frente do Ministério do Desenvolvimento Agrário e de Políticas Fundiárias; no governo Michel Temer, comandou o Ministério da Defesa e tornou-se, em 2018, o primeiro ministro da Segurança Pública do Brasil, pasta criada em meio ao agravamento das crises estaduais de segurança.
Durante a gestão no Executivo federal, foi responsável por coordenar operações amparadas pelos decretos de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), instrumento que autoriza a atuação das Forças Armadas em situações excepcionais.
Sua formação política remonta à juventude, quando militou no Partido Comunista Brasileiro (PCB). A trajetória partidária envolveu passagens pelo MDB, PPS e PMDB, até retornar ao PPS em 2003, legenda na qual permaneceu até 2018. A projeção como ministro impulsionou sua eleição como deputado federal por Pernambuco em 2002, com reeleição em 2006. Em 2012, conquistou mandato como vereador do Recife, e em 2014 ficou como suplente para a Câmara.
Entre as funções públicas que exerceu, também presidiu o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Jungmann chegou a ser investigado por supostas irregularidades em contratos de publicidade na época em que comandou o Desenvolvimento Agrário, somando R$ 33 milhões — o inquérito, porém, foi posteriormente arquivado pela Justiça Federal.
Jungmann deixa dois filhos e uma neta. O velório e a cremação serão realizados em cerimônia restrita a familiares e amigos, em Brasília, marcando o encerramento da trajetória de uma figura que ocupou espaço relevante nos debates sobre segurança pública, política ambiental e reformas institucionais no Brasil.
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