INFRAESTRUTURA DIGITAL
FIEC inicia 2026 com aposta em projeto bilionário de data center no Pecém
Por Marcelo Cabral - Em 20/01/2026 às 10:20 AM

Ricardo Cavalcante destacou a postura antecipatória da FIEC Fotos: George Lucas/Gecom
A Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) promoveu, na noite desta segunda-feira (19), a 1ª Reunião da Diretoria Plena de 2026, reunindo lideranças empresariais em torno de uma agenda estratégica voltada ao fortalecimento da indústria cearense. Sob o lema ‘FIEC Unida’, o encontro refletiu sobre os desafios e oportunidades de um ano marcado por profundas transformações econômicas, regulatórias e tecnológicas. Entre os temas debatidos, um projeto se destacou pelo porte e pelo impacto esperado: o Data Center Pecém, empreendimento da ByteDance – controladora do TikTok -, cujas obras já tiveram início na ZPE II, em Caucaia.
A reunião foi conduzida pelo presidente da FIEC, Ricardo Cavalcante, que apontou o início de um ciclo decisivo para o setor industrial do Estado. Em um cenário de implementação da reforma tributária e de rápidas mudanças na economia global, Cavalcante ressaltou a postura antecipatória da entidade, atenta aos movimentos do comércio internacional e às oportunidades abertas por novos acordos, como o tratado recentemente firmado entre o Mercosul e a União Europeia.
Infraestrutura digital como vetor
O ponto alto da noite foi a apresentação do Data Center do Pecém, projeto que consolida o Ceará como um dos polos estratégicos da infraestrutura digital no Brasil. O tema foi detalhado pelo presidente da ZPE Ceará, Fábio Feijó, e pelo diretor de Construção da Ominia Data Center, responsável pela implantação do empreendimento, Wellyson Costa.
Segundo Feijó, o data center integra a estratégia estadual de inserção do Ceará na economia do conhecimento. O Estado, destacou, já reúne ativos relevantes – capital humano qualificado, conectividade internacional e abundância de energia renovável -, agora potencializados por uma infraestrutura de dados capaz de atrair grandes players globais de tecnologia.
O projeto prevê investimentos iniciais de R$ 12 bilhões na estrutura do data center, além de R$ 3,7 bilhões destinados à implantação de novos parques solares e eólicos no interior cearense, assegurando operação com energia 100% limpa. Consideradas todas as fases já aprovadas, o volume total de recursos ultrapassa R$ 200 bilhões. Entre os legados estruturantes estão a ampliação da conectividade do Complexo do Pecém com novas rotas de cabos submarinos, a construção de uma subestação de alta tensão e a geração expressiva de emprego, renda e arrecadação.
Escala inédita e sustentabilidade

Wellyson Costa comanda as obras de implantação do equipamento
Wellyson Costa apresentou os detalhes técnicos do empreendimento, destacando a escala inédita do projeto e o modelo ‘build to suit’ (BTS), no qual o data center é concebido sob medida para o cliente. A primeira fase já está contratada pela controladora do TikTok e contempla dois prédios com capacidade total de 200 MW de TI – volume equivalente a toda a capacidade atualmente instalada no Brasil. O complexo se consolida, assim, como o maior do País e um dos maiores da América Latina.
O investimento apenas na fase inicial é estimado em cerca de R$ 50 bilhões, incluindo a infraestrutura de dados e a geração de energia dedicada. No pico das obras, a expectativa é de 3,8 mil postos de trabalho diretos, além de milhares de indiretos. Quando entrar na sua fase operacional, o empreendimento deverá manter cerca de 500 empregos altamente qualificados, com impacto permanente na cadeia de serviços da região.
A sustentabilidade também esteve no centro da apresentação. Costa esclareceu que o sistema de resfriamento será fechado, com consumo estimado de cerca de três mil litros de água por dia na primeira fase – volume considerado reduzido diante da dimensão do projeto. O data center seguirá padrões socioambientais internacionais, com monitoramento em tempo real e diálogo permanente com as comunidades do entorno.
Reforma tributária e ambiente de negócios
A pauta técnica da noite incluiu ainda os desdobramentos da reforma tributária, apresentados por Emílio Moraes, presidente do Conselho Temático de Economia, Finanças e Tributação da FIEC (Cofin). Ele destacou 2026 como um ano de transição e adaptação ao novo sistema, alertando para a obrigatoriedade do correto preenchimento das notas fiscais a partir de 1º de abril, quando falhas poderão resultar em penalidades.
Moraes detalhou o cronograma de substituição dos tributos atuais, com a extinção definitiva do PIS e da Cofins em 2027, a redução gradual do ICMS e do ISS entre 2029 e 2032 e a consolidação do IBS em 2033. Também abordou mudanças na tributação da renda, ressaltando que a sustentabilidade das empresas dependerá cada vez mais de gestão contábil consultiva, compliance digital e planejamento estratégico.
O recém-empossado diretor de Negócios do Banco do Nordeste (BNB), Vandir Farias, reforçou a aproximação institucional com a FIEC e o setor produtivo. Defendendo a escuta ativa como diretriz de sua gestão, colocou a equipe do banco à disposição para o diálogo direto com empresários e lideranças industriais. Mais do que apresentar resultados, Farias destacou o compromisso de compreender demandas, esclarecer dúvidas e construir soluções conjuntas, com foco em inovação, infraestrutura e modernização dos negócios.

Reunião da Diretoria Plena da FIEC debateu temas de grande importância para o setor industrial cearense
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