Ordem Mundial
Conselho da Paz é lançado por Trump em Davos sob opiniões divididas
Por Julia Fernandes Fraga - Em 23/01/2026 às 4:29 PM

Lançamento ocorreu no World Economic Forum, na Suíça. Foto: Reprodução/Instagram
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou nessa quinta-feira (22), no Fórum Econômico Mundial, em Davos, o Conselho da Paz, órgão criado por seu governo para supervisionar a paz na Faixa de Gaza, coordenar a reconstrução do território palestino e, futuramente, atuar em outros conflitos internacionais.
Apresentação
Durante a cerimônia, Trump afirmou que o conselho terá aval “para fazer tudo o que quisermos” e disse que as ações ocorrerão “em conjunto com as Nações Unidas”, embora críticos vejam a iniciativa como uma tentativa de esvaziar a Organização das Nações Unidas (ONU). O presidente norte-americano será o presidente vitalício do órgão e o único com poder de veto. Pelo estatuto, países terão mandatos de três anos, mas contribuições acima de US$ 1 bilhão garantem assento permanente.
No evento, o governo dos EUA também apresentou o plano “Nova Gaza”, que prevê a reconstrução do território palestino com arranha-céus e polos turísticos. “É uma ótima locação para o mercado imobiliário, perto do mar”, disse Trump.
Cerca de 30 dos 60 líderes convidados participaram do lançamento, entre eles os presidentes da Argentina, Javier Milei; do Azerbaijão, Ilham Aliyev; do Paraguai, Santiago Peña; além do premiê da Hungria, Viktor Orbán; e da presidente do Kosovo, Vjosa Osmani. Além desses, países como Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Indonésia, Turquia, Egito e Catar já confirmaram adesão.
Críticas
Apesar do lançamento, o conselho enfrenta resistência. Espanha e Alemanha recusaram o convite. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, recusou, citando compromisso com o direito internacional, a ONU e o multilateralismo, além de criticar a ausência da Autoridade Palestina. O chanceler alemão, Friedrich Merz, disse não poder aceitar o plano “como ele foi apresentado”.
Também já anunciaram que não irão aderir França, Noruega, Eslovênia e Suécia. Outros países, como Brasil, Reino Unido, China, Itália, Rússia e Ucrânia, ainda não responderam ao convite. A iniciativa, prevista na segunda fase do acordo de paz mediado pelos EUA entre Israel e o grupo terrorista Hamas, é vista por diplomatas e analistas como controversa, devido à concentração de poder nas mãos de Trump e ao temor de criação de uma espécie de “ONU paralela”.
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