Caminho alternativo

PSD avalia recalibrar ambições presidenciais para 2026

Por Julia Fernandes Fraga - Em 26/02/2026 às 12:10 PM

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A movimentação ocorre dias depois de o presidente do partido, Gilberto Kassab, ter defendido os nomes de Ronaldo Caiado, Ratinho Jr. e Eduardo Leite para a presidência. Foto: Montagem

A movimentação recente de lideranças do PSD indica menos uma disputa interna por protagonismo nacional e mais um processo silencioso de reorganização estratégica diante das incertezas do cenário político de 2026.

Nos bastidores, os governadores Ratinho Júnior (PR), Ronaldo Caiado (GO) e Eduardo Leite (RS) — todos em segundo mandato — passaram a recalibrar suas ambições presidenciais, priorizando caminhos de menor risco político e maior previsibilidade institucional.

A disputa pelo Palácio do Planalto exigiria a construção de uma coalizão nacional robusta em um campo conservador ainda fragmentado e fortemente influenciado pelo bolsonarismo. Nesse contexto, a viabilidade de uma candidatura competitiva do partido permanece condicionada não apenas ao desempenho individual de seus quadros, mas à ausência de um projeto unificador no espectro da centro-direita.

Diante desse cenário, cresce dentro do partido a leitura de que a preservação de capital político regional pode ser mais estratégica do que uma aposta presidencial de alto custo e retorno incerto.

A lógica da preservação

A alternativa mais consistente para os três governadores passa a ser o Senado — uma plataforma que combina: mandato longo, projeção nacional, influência institucional e menor risco eleitoral imediato. Ao optar por esse caminho, as lideranças mantêm capacidade de atuação no debate nacional sem abrir mão do controle político em seus estados.

No Paraná, Ratinho Júnior preserva influência direta sobre a sucessão estadual e reduz o risco de fragmentação de sua base. Em Goiás, Caiado enfrenta desafio semelhante: alta popularidade pessoal que ainda não se traduz integralmente em transferência de votos. No Rio Grande do Sul, Leite também observa dificuldades na consolidação de um sucessor competitivo.

O Senado surge, portanto, como instrumento de continuidade política e não como recuo.

PSD e o dilema do protagonismo

A reorganização revela um traço recorrente da identidade do partido: força regional combinada a baixa coesão nacional.

Historicamente posicionado como uma legenda de capilaridade e pragmatismo, o PSD volta a operar com lógica semelhante à de antigas estruturas de centro — presentes em diferentes arranjos de poder, mas sem um projeto presidencial consolidado.

Nesse ambiente, a eventual definição de um nome para 2026 passa menos pela ambição individual e mais pela capacidade de adaptação ao tabuleiro político.

Movimento de médio prazo

Ao reduzir o risco de exposição em uma disputa presidencial incerta, Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite mantêm-se como ativos relevantes para o ciclo político seguinte.

Mais do que uma desistência, o reposicionamento sugere uma estratégia de longevidade: preservar bases estaduais, ampliar presença institucional e manter viabilidade nacional para projetos futuros.

O gesto não encerra pretensões — apenas adia o momento de maior exposição.

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