ORIENTE MÉDIO

Morte de Ali Khamenei desencadeia escalada militar e amplia tensões globais

Por Marcelo Cabral - Em 01/03/2026 às 2:04 PM

O Oriente Médio atravessa um dos momentos mais delicados de sua história recente. Em resposta à morte do aitolá Ali Khamenei, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) anunciou o lançamento de uma ofensiva contra o território israelense e pelo menos 27 bases americanas espalhadas pela região. Em comunicado oficial, a corporação afirmou que “as Forças Armadas darão uma vingança diferente e decisiva”, classificando a ação como a “sexta onda da Operação Verdadeira Promessa 4”.

Ataques com mísseis e drones foram realizados pelo Irã, em retaliação, atingindo diversos países situados no Oriente Médio, além de Israel                                  Foto: West Asia News Agency/Via Reuters

Esta contraofensiva militar iraniana é conduzida por meio de ataques com mísseis de longo alcance e drones não tripulados. De acordo com as forças sediadas em Teerã, entre os alvos estavam o quartel-general do Exército de Israel na região de Hakirya, em Tel Aviv, um complexo industrial de defesa na mesma cidade e uma base aérea na capital israelense. Também foram registrados ataques a bases americanas e alvos civis no Catar, Bahrein, Emirados Árabes, Iraque e Jordânia.

Reação imediata e tensão aérea

Após o anúncio da IRGC, as Forças de Defesa de Israel (FDI) orientaram a população a permanecer em locais seguros até novo aviso. Paralelamente, o Ministério da Defesa do Catar informou ter interceptado com sucesso cerca de 18 mísseis que tinham como alvo diferentes áreas do país.

Também neste domingo (1º), Israel declarou ter lançado uma ampla ofensiva aérea no centro de Teerã, afirmando buscar o domínio dos céus sobre a capital iraniana. De acordo com fontes militares israelenses, a maioria dos sistemas de defesa aérea no Oeste e Centro do Irã teria sido desmantelada, numa estratégia descrita como abertura do “caminho para Teerã”.

Balanço e repercussão interna

A morte de Khamenei foi confirmada pela mídia estatal ainda na noite de sábado (horário de Brasília), já madrugada na capital iraniana. A ofensiva militar iniciada ontem já deixou ao menos 201 mortos e 747 feridos, segundo dados divulgados por autoridades iranianas.

Nas primeiras horas após a confirmação, milhares de pessoas ocuparam as ruas em diferentes cidades do país para protestar contra a morte do líder religioso e político. Ao mesmo tempo, vídeos divulgados nas redes sociais mostravam manifestações contrastantes, com registros de celebrações em algumas localidades – um retrato das divisões internas que atravessam o país.

Em meio ao cenário de instabilidade, foi anunciada a criação de um órgão colegiado para substituir o aiatolá. O novo grupo é composto pelo presidente Masoud Pezeshkian; pelo chefe do Judiciário Gholam Hossein Mohseni Ejeie, e pelo presidente do Parlamento Mohammad Bagher Ghalibaf, conforme informou a imprensa estatal. O aiatolá Alireza Arafi, muito próximo a Khamenei, vai comandar o processo de sucessão no Irã.

Um tabuleiro em redefinição

Especialistas internacionais avaliam que o episódio pode redefinir o equilíbrio estratégico no Oriente Médio, com impactos que ultrapassam a esfera militar e alcançam mercados globais, cadeias energéticas e relações diplomáticas multilaterais.

Entre retaliações, declarações contundentes e movimentações aéreas, a região entra em um novo e incerto capítulo – acompanhado com atenção máxima por governos, investidores e organismos internacionais. O desfecho permanece indefinido, mas o mundo já sente os efeitos de uma crise que ameaça redesenhar o mapa geopolítico contemporâneo.

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