Disputa Narrativa

O novo campo de batalha eleitoral: IA, plataformas e desinformação

Por Julia Fernandes Fraga - Em 03/03/2026 às 12:05 AM

Técnicos Do Tre Df Realizam A Conferência E A Lacração De Urnas Eletrônicas Para O 1º Turno Das Eleições 2022.

Em 2026, até chegar à urna o eleitor será amplamente alcançado por materiais – verdadeiros ou não – à base de IA. Foto: Divulgação/TSE

O ambiente eleitoral brasileiro de 2026 já começa a ser desenhado — e, desta vez, sob um novo elemento central: a inteligência artificial. O Conselho de Comunicação Social (CCS) do Congresso Nacional vai realizar, em junho, audiência pública para discutir o combate à desinformação nas próximas eleições, com foco na circulação de notícias falsas e no uso de tecnologias de IA.

A data ainda será definida, mas o movimento sinaliza uma antecipação institucional diante de um cenário mais complexo do que o observado nos pleitos anteriores.

A discussão terá como referência as normas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que já vem atualizando resoluções para lidar com o uso de conteúdos manipulados, deepfakes e impulsionamento irregular em ambientes digitais.

Novo ciclo regulatório

Se 2022 foi marcada pelo avanço das redes sociais como principal campo de disputa narrativa, 2026 tende a consolidar um novo estágio: o da inteligência artificial generativa como ferramenta de produção e disseminação de conteúdo político.

A capacidade de criar vídeos hiper-realistas, áudios sintéticos e imagens manipuladas em escala industrial amplia o desafio para autoridades eleitorais, plataformas digitais e veículos de comunicação.

O debate no CCS ocorre em um momento em que:

> cresce a pressão internacional por regras mais claras sobre IA;

> plataformas são cobradas por maior responsabilidade sobre conteúdos patrocinados;

> o ambiente informacional se torna mais fragmentado e veloz.

Ao trazer o tema para a agenda oficial ainda em 2025, o Congresso sinaliza que pretende discutir não apenas punições, mas também mecanismos de prevenção e transparência.

Agenda ampliada: regulação digital em pauta

O calendário do Conselho indica que a audiência sobre eleições faz parte de um ciclo mais amplo de debates sobre comunicação e ambiente digital.

Entre os compromissos já agendados:

> 6 de abril — debate sobre o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), com participação da sociedade civil;

> 4 de maio — análise da regulamentação da atividade de profissional multimídia (Lei 15.325/26); e sessão em comemoração ao Dia Mundial da Liberdade de Imprensa;

> Junho — discussão sobre mercados digitais.

O conjunto da pauta indica que o Congresso deve intensificar, ao longo do ano, as discussões sobre regulação tecnológica, liberdade de expressão e responsabilidades no ambiente digital.

O que está em jogo

A audiência pública sobre desinformação não é apenas um debate técnico. Ela antecipa um tema que deve ganhar protagonismo no ciclo eleitoral: o equilíbrio entre liberdade de expressão, inovação tecnológica e proteção da integridade do processo democrático.

Para empresas de tecnologia, veículos de mídia, agências de comunicação e operadores do mercado digital, o sinal é claro: 2026 será a primeira eleição brasileira integralmente atravessada pela inteligência artificial — e sob vigilância regulatória ampliada. O debate começa agora.

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