NO PRIMEIRO BIMESTRE

Exportações cearenses sobem 102,5% e atingem a cifra dos US$ 459,2 milhões

Por Marcelo Cabral - Em 16/03/2026 às 5:02 PM

O comércio exterior cearense iniciou 2026 em ritmo acelerado. Levantamento do Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), por meio do Centro Internacional de Negócios (CIN), aponta que as exportações estaduais alcançaram US$ 459,2 milhões entre janeiro e fevereiro, registrando crescimento de 102,6% em comparação ao mesmo período de 2025.

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No mesmo intervalo, as importações somaram US$ 391 milhões, com retração de 19,7%. O resultado levou a balança comercial do Estado a fechar o primeiro bimestre com superávit de US$ 68,2 milhões, revertendo déficits observados anteriormente.

Grande parte desse desempenho foi impulsionada pelo avanço das exportações de ferro e aço, que saltaram de US$ 49,4 milhões para US$ 291,3 milhões, expansão superior a 490%. A forte demanda do mercado norte-americano foi determinante para esse avanço, consolidando o setor siderúrgico como o principal vetor das vendas externas no período.

Produtos tradicionais mantêm presença global

Além da siderurgia, produtos historicamente ligados à economia cearense continuam ocupando espaço relevante no mercado internacional. Um dos destaques é a cera de carnaúba, matéria-prima reconhecida mundialmente por sua versatilidade e utilizada em segmentos como cosméticos, alimentos, indústria farmacêutica e setor automotivo.

O avanço das exportações também se refletiu na posição do Estado no cenário regional. No primeiro bimestre de 2026, o Ceará passou a ocupar a segunda posição entre os maiores exportadores do Nordeste, ficando atrás apenas da Bahia. Com isso, a participação cearense nas exportações da região saltou de 6,25% em 2025 para 15,54% este ano, demonstrando um crescimento expressivo na presença do Estado no comércio exterior nordestino.

Apesar do desempenho robusto, o estudo recomenda cautela na interpretação dos números. O superávit comercial registrado no início do ano foi fortemente influenciado pelo crescimento concentrado das exportações de ferro e aço, o que pode indicar um movimento pontual associado ao calendário de embarques do setor siderúrgico. Nesse contexto, ainda não é possível afirmar que se trata de uma mudança estrutural permanente no padrão da balança comercial do Estado.

Importações com perfil industrial

Do lado das importações, o comportamento foi mais moderado. As compras externas totalizaram US$ 391 milhões, valor inferior ao registrado no mesmo período de 2025. A retração foi puxada principalmente pela redução nas aquisições de combustíveis minerais, além de máquinas e equipamentos e alguns insumos industriais.

Mesmo assim, a pauta importadora permanece fortemente ligada às necessidades das cadeias produtivas locais. Entre os principais produtos adquiridos no exterior estão combustíveis minerais, ferro e aço, máquinas elétricas, máquinas mecânicas, produtos químicos orgânicos e cereais.

Em relação à origem das importações, a China é a principal parceira comercial do Ceará, respondendo por cerca de 42% das compras externas. Na sequência aparecem Estados Unidos, Colômbia, Rússia e Argentina, evidenciando uma concentração geográfica das importações em parceiros estratégicos.

Com um início de ano positivo, o comércio exterior cearense sinaliza novas oportunidades de expansão, ao mesmo tempo em que reforça a importância de diversificar sua pauta exportadora para consolidar, de forma sustentável, a presença do Estado no mercado internacional.

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