NEGÓCIOS GLOBAIS
Brasileira ascende ao seleto clube do bilhão e impulsiona nova fronteira da inovação financeira global
Por Suzete Nocrato - Em 17/03/2026 às 2:55 PM

Luana Lopes Lara é cofundadora da plataforma de mercados de previsão Kalshi. Foto: Divulgação
De formação clássica no balé à liderança no universo da tecnologia financeira, a brasileira Luana Lopes Lara, de 29 anos, consolida uma trajetória singular ao se tornar a mulher mais jovem do mundo a construir a própria fortuna e alcançar o status de bilionária. Cofundadora da plataforma de mercados de previsão Kalshi, ela acumula patrimônio estimado em US$ 1,3 bilhão (R$ 6,7 bilhões).
O avanço reflete a rápida valorização da empresa, que multiplicou seu valor de mercado em mais de cinco vezes ao longo de 2025, saltando de US$ 2 bilhões (R$ 10,53 bilhões) em junho para US$ 11 bilhões (R$ 57,91 bilhões) em dezembro.
Com cerca de 12% de participação cada, Luana e seu sócio, Tarek Mansour, passaram a integrar a lista de bilionários da Forbes, consolidando a relevância da Kalshi no ecossistema financeiro global. A plataforma se destaca por permitir que usuários negociem eventos futuros — uma proposta que nasce da observação de comportamentos no mercado.
“Como traders, víamos pessoas tomando posições com base no que achavam que aconteceria com o Brexit ou a eleição do Trump. E se pudessem negociar diretamente os resultados desses eventos, como fazem com ações?”, relembra a empresária.
Rigor acadêmico
Nascida em Belo Horizonte (MG) e criada em Niterói (RJ), Luana traz uma formação marcada pela disciplina e pelo rigor acadêmico. Passou pela Escola do Teatro Bolshoi, em Joinville (SC), e pela Escola Técnica Tupy, com foco em exatas. A vocação científica tem raízes familiares: seu pai é engenheiro eletricista; sua mãe, professora de matemática; e sua irmã, engenheira química.
A trajetória da Kalshi também é marcada por desafios regulatórios. A companhia obteve aval da CFTC em 2020, após mais de três anos de negociações, mas enfrentou resistência em 2023, quando a agência barrou contratos eleitorais por considerá-los semelhantes a jogos de azar. Uma decisão judicial posterior, em 2024, permitiu a retomada dessas operações, incluindo previsões como “Trump voltará à Casa Branca?”, impulsionando o crescimento do negócio.
Ainda assim, o modelo segue cercado de controvérsias: críticos apontam que contratos políticos podem influenciar eleições, enquanto os ligados a esportes poderiam contornar regulações e ampliar apostas, especialmente entre públicos mais jovens — um debate que acompanha a ascensão desse novo segmento do mercado financeiro digital.
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