Sistema Financeiro
Convocação de Galípolo e Campos Neto em CPI expõe pressão sobre o Banco Central
Por Julia Fernandes Fraga - Em 07/04/2026 às 12:09 AM

Atual e ex-presidente do BC serão ouvidos na quarta-feira, 8. Foto: Andressa Anholete e Pedro França/Agência Senado
O Banco Central passa a ocupar o centro das investigações da CPI do Crime Organizado nesta semana, com a convocação do atual presidente da instituição, Gabriel Galípolo, e do ex-presidente Roberto Campos Neto para prestar esclarecimentos sobre a atuação da autoridade monetária no caso do Banco Master.
A oitiva está marcada para quarta-feira (8), às 9h, e deve ampliar o alcance da comissão ao incluir, além de operadores do sistema financeiro, o papel das instituições responsáveis pela regulação e supervisão bancária.
Campos Neto: “testemunha qualificada”
Relator da CPI, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) é autor do requerimento que convoca Roberto Campos Neto, que presidiu o Banco Central entre 2019 e 2025. A avaliação é de que o ex-dirigente reúne condições de esclarecer os critérios de idoneidade exigidos para o controle de instituições financeiras.
O foco recai sobre a autorização concedida, em 2019, para que Daniel Vorcaro assumisse o controle do então Banco Máxima — posteriormente rebatizado como Banco Master. O caso também aparece no contexto da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga possíveis irregularidades envolvendo servidores do Banco Central.
A CPI busca, ainda, identificar eventuais lacunas regulatórias e discutir ajustes institucionais capazes de reforçar a proteção do sistema financeiro contra a infiltração de organizações criminosas.
Galípolo x Vorcaro
Já o convite ao atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, parte de requerimento do senador Eduardo Girão (Novo-CE) e tem como base relatos sobre uma reunião realizada no Palácio do Planalto, em novembro de 2024.
Segundo as informações citadas no pedido, o encontro teria reunido o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Galípolo e outros agentes públicos com Daniel Vorcaro. O parlamentar questiona a finalidade institucional da agenda e defende a necessidade de esclarecimentos.
A oitiva, segundo o requerimento, busca garantir transparência e afastar dúvidas sobre eventual interferência política ou econômica em processos de fiscalização e controle do sistema financeiro.
Pressão sobre governança e credibilidade
A convocação simultânea de Galípolo e Campos Neto marca uma inflexão na CPI, que passa a direcionar seu foco também para a atuação das estruturas de Estado responsáveis pela supervisão do setor bancário.
Baseada no caso específico do Banco Master, a discussão tende a avançar sobre padrões de governança, critérios de autorização e os mecanismos de prevenção à entrada de capital ou influência de origem ilícita no sistema financeiro nacional.
O movimento aumenta ainda o peso político da comissão e coloca o Banco Central sob escrutínio direto em um tema sensível — a interseção entre regulação financeira, credibilidade institucional e combate ao crime organizado.
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