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DPU redefine centro de influência com indicação de Tarcijany Linhares à defensora-chefe

Por Julia Fernandes Fraga - Em 10/04/2026 às 6:45 PM

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Defensora é cearense natural de Mucambo. Foto: Jamile Ferraris/DPU

A indicação da defensora pública cearense Tarcijany Linhares para o comando da Defensoria Pública da União (DPU), formalizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na quinta-feira (9), sinaliza mais do que a primeira mulher a chefiar o órgão: reposiciona o eixo de influência da instituição e amplia o protagonismo de trajetórias construídas fora dos grandes centros.

A escolha ocorre em um momento de transição na DPU, com a vaga aberta desde janeiro após o fim do mandato de Leonardo Magalhães. Ao optar por um nome que não liderou a lista tríplice, o Planalto imprime uma leitura própria sobre o perfil desejado para o próximo ciclo do órgão — com maior ênfase em atuação territorial e capilaridade social. 

Interior como vetor de poder

Natural de Mucambo e com atuação consolidada em Sobral, Tarcijany construiu sua trajetória no interior do Ceará, onde lidera a unidade local da DPU e atua como defensora regional de direitos humanos substituta. O movimento reforça um aspecto relevante: a valorização de quadros formados fora dos grandes polos tradicionais de decisão.

Nesse contexto, cidades como Sobral passam a ocupar um espaço ampliado na formação de lideranças com alcance nacional, conectando experiência local à formulação de políticas públicas em escala federal.

Critério político e leitura de cenário

A indicação também dialoga com o ambiente político. Tarcijany foi a segunda colocada na lista tríplice formada pela categoria, em setembro do ano passado — o mais votado foi Leonardo Magalhães. Ainda assim, segundo a lei, o presidente não é obrigado a seguir a ordem da votação.

Nos bastidores, o nome da defensora ganhou densidade com apoio de lideranças cearenses, como o senador Camilo Santana (PT) e o deputado federal José Guimarães (PT), líder do governo na Câmara, consolidando uma convergência política em torno da escolha.

Agenda de direitos

Com atuação voltada à população em situação de vulnerabilidade, a trajetória de Tarcijany dialoga com a ampliação da agenda da DPU nos últimos anos, especialmente em frentes como direitos humanos e acesso à Justiça em regiões menos assistidas.

A indicação segue agora para sabatina no Senado Federal. Caso aprovada, Tarcijany não apenas poderá se tornar a primeira mulher a comandar a DPU, mas também consolidar uma nova posição no perfil de liderança do órgão — com maior conexão entre território, política pública e estrutura federal. 

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