TECNOLOGIA
Xiaomi vê lucro cair 57% em meio à alta no custo de memória e pressão no mercado chinês
Por REDAÇÃO - Em 26/05/2026 às 4:00 PM

Xiaomi enfrenta desafios em smartphones e eletrodomésticos enquanto amplia aposta em veículos elétricos — Foto: arquivo/Portal IN
A Xiaomi iniciou 2026 sob pressão no mercado global de tecnologia. A fabricante chinesa registrou uma queda de 57% no lucro líquido no primeiro trimestre do ano, impactada pela disparada nos preços de memória, pela concorrência acirrada no setor de smartphones e pelo enfraquecimento da demanda na China.
Segundo balanço divulgado pela companhia em Pequim, o lucro caiu para 4,72 bilhões de yuans, cerca de US$ 694,7 milhões, enquanto a receita recuou 11%, totalizando 99,14 bilhões de yuans. Os números vieram abaixo das projeções de analistas consultados pela Visible Alpha.
A divisão de smartphones da Xiaomi, principal fonte de receita da empresa, apresentou queda de 12,5% no trimestre. A companhia atribuiu o desempenho às menores remessas globais de aparelhos, apesar da alta no preço médio dos dispositivos vendidos.
O cenário reflete uma transformação mais ampla no setor de tecnologia. O avanço da inteligência artificial vem ampliando a demanda mundial por componentes de memória, elevando custos de produção e pressionando as margens das fabricantes de eletrônicos.
Além disso, empresas chinesas enfrentam uma competição cada vez mais intensa tanto no mercado doméstico quanto internacional, especialmente diante da desaceleração do consumo global.
Segmento automotivo avança
Apesar das dificuldades no setor de eletrônicos, a divisão de veículos elétricos da Xiaomi apresentou crescimento. A receita da área avançou 5,1% no período, impulsionada pelo aumento nas entregas de automóveis.

Segmento de veículos elétricos da Xiaomi cresce mesmo em meio à desaceleração do mercado automotivo chinês — Foto: arquivo/Portal IN
O desempenho é visto pelo mercado como um sinal importante dentro da estratégia da companhia de ampliar sua presença na indústria automotiva inteligente, segmento considerado prioritário para o futuro da empresa.
Ainda assim, o mercado chinês de veículos elétricos também atravessa um período de desaceleração, pressionado pelo excesso de concorrência e pela redução de incentivos governamentais.
Recompra de ações
Em meio ao resultado abaixo das expectativas, a Xiaomi anunciou um plano de recompra de ações de até 20 bilhões de dólares de Hong Kong, o equivalente a aproximadamente US$ 2,55 bilhões, ao longo dos próximos 12 meses.
A iniciativa busca transmitir confiança aos investidores em relação às perspectivas da companhia, mesmo diante da volatilidade do mercado global de tecnologia e do aumento dos custos operacionais.
O movimento acontece em um momento em que gigantes do setor buscam equilibrar investimentos em inteligência artificial, mobilidade elétrica e dispositivos conectados, enquanto enfrentam um ambiente de demanda mais fraca e maior pressão competitiva.
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