Crise Institucional
Governo Federal endurece tom e rejeita socorro ao BRB após novos desdobramentos
Por Julia Fernandes Fraga - Em 17/04/2026 às 12:04 AM

Em fala à imprensa, o ministro José Guimarães abordou o caso. Foto: Gil Ferreira/SRI-PR
O avanço das investigações sobre operações financeiras irregulares envolvendo o Banco de Brasília (BRB) elevou a tensão institucional em torno do caso e provocou uma sinalização clara dentro do governo federal: não há disposição para um eventual socorro à instituição. A posição foi externada pelo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, na quinta-feira (16), em conversa com jornalistas.
De forma categórica, o ministro enfatizou ser, no plano pessoal, “completamente contrário a qualquer socorro” ao banco. Segundo ele, caso o tema chegue formalmente à sua esfera de atuação, a posição será mantida. A declaração ocorre no contexto da 4ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga desvios bilionários relacionados ao Banco Master e resultou, nesta semana, na prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
Investigação e responsabilização
Guimarães destacou a condução das apurações pela Polícia Federal e reforçou que os responsáveis pelos desvios serão identificados ao fim do processo. Entre os investigados estão o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e o próprio ex-presidente da instituição financeira.
“A PF está fazendo um trabalho extraordinário. Ao final vamos saber quem são os responsáveis por tamanho absurdo, pelos tantos bilhões envolvidos. A orientação do presidente Lula é essa. Doa a quem doer”, declarou o ministro.
No âmbito local, a governadora em exercício do Distrito Federal, Celina Leão (PP), relatou que a nova direção do banco tem colaborado com as investigações, destacando o uso de auditorias internas e o envio de informações à Polícia Federal.
Pressão reputacional e impacto financeiro
A crise também levanta preocupações no mercado financeiro. Para o economista Cesar Bergo, o envolvimento do banco em investigações policiais já impacta diretamente sua credibilidade, o que pode dificultar a captação de recursos no mercado.
Segundo ele, embora haja indicação de que o problema seja patrimonial — e não de liquidez —, o desgaste da imagem institucional tende a gerar efeito prático no comportamento de correntistas e investidores.
“Colocar o BRB na mídia em função desses aspectos policiais não é bom. Afeta a imagem, a reputação do banco. Esse risco já existe e começa a afetar a liquidez, porque os correntistas ficam receosos”, avaliou.
Repercussões políticas
O caso também repercute no ambiente político. Guimarães criticou o que classificou como uso oportunista do episódio por parte de atores políticos e ampliou o debate para a recente janela partidária, marcada por intensas trocas de legenda.
“Em todos os meus anos na política, nunca vi algo como o que aconteceu nessa janela. Foi um acinte contra os partidos sérios”, afirmou, ao defender regras mais rígidas na reforma política em discussão no Congresso.
Cenário eleitoral no radar
Ao ser questionado sobre pesquisas recentes que indicam crescimento de nomes da oposição, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ministro minimizou o impacto imediato dos levantamentos.
“A campanha sequer começou. Mas, pelas minhas experiências com eleições, acredito que o outro candidato não vai se sustentar”, indicou.
O conjunto das declarações reforça um cenário em que o governo busca se distanciar institucionalmente do caso BRB, enquanto aguarda o avanço das investigações e seus desdobramentos políticos e econômicos.
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